14 março 2010

Turismo cervejeiro em Buenos Aires IV - Buller Brewpub


 Fachada do Buller Brewpub na Recoleta.

Minha última parada no tour cervejeiro em Buenos Aires foi o bar Buller Brewpub. Eles fabricam a cerveja servida no local. A única maneira de provar as cervejas feitas por eles é indo a um dos dois endereços que eles têm em Buenos Aires, um no calçadão em frente ao famoso cemitério da Recoleta onde eles realmente elaboram as cervejas, e a filial no centro, o Buller Downtown (rua Paraguay, 428) bem perto da rua Florida e do The Kilkenny Irish Pub, já citado no outro post. Para quem vai visitar a cidade pode programar uma visita aos dois locais no mesmo dia.

 Buller Downtown no centro.

O endereço no centro era bem perto do meu hotel. Passei em frente somente para conhecer. Preferi ir à Recoleta para conhecer o local onde eles fazem a cerveja. O local é bem movimentado e descontraído. Como não tinha muito tempo naquele dia preferi pedir somente o Sampler que é uma amostra de degustação com todas as cervejas fabricadas na casa servidas como chope.



Todas as cervejas são servidas em mini Pints de 100ml . Com essa quantidade tão pequena de cada, eles não serviam muita espuma e por isso não fiz avaliação desse quesito. As cervejas disponíveis são a Light Lager, Hefeweissen, Honey Beer, Oktoberfest, India Pale Ale e Dry Stout. Leia minhas impressões sobre cada uma abaixo:

 Sampler com amostras das seis cervejas da casa. 
Infelizmente a luz no local não era das melhores para uma boa fotografia.
Na ordem: Light Lager, Hefeweissen, Honey Beer, Oktoberfest, India Pale Ale e Dry Stout.

Buller Light Lager - 4.5%ABV.

Cor: Dourada, leve turbidez.
Aroma: Malte, lúpulo.
Paladar: Malte, lúpulo, leve amargor.

Uma Lager com bom toque de lúpulo de amargor. Esta é a menos interesante de todas.

Buller Hefeweissen - 5%ABV.

Cor: Amarela, bem turva.
Aroma: Malte, cravo destacado, tutti-frutti, leve banana.
Paladar: Malte, cravo destacado, tutti-frutti, leve banana, amargor final, acidez, cítrico, alta carbonatação.

Weiss com maior toque de lúpulo do que encontramos nas tradicionais German Weissbiers, gerando sabores cítricos e um amargor mais presente.

Buller Honey Beer - 8.5%ABV.

Cor: Âmbar, límpida.
Aroma: Malte, doce, álcool.
Paladar: Malte, doce, álcool, lúpulo, leve cítrico, bom amargor final, de média intensidade e boa duração, levemente seca, corpo médio.

Boa cerveja. Bom balanço de lúpulo com a doçura do mel.

Buller Oktoberfest - 5.5%ABV.

Cor: Âmbar escura, límpida.
Aroma: Malte, cereais(?), lúpulo.
Paladar: Malte, lúpulo, bom amargor final.

Boa cerveja. Leve e de alto drinkability. O amargor parece ser tímido de início, mas depois aparece bem e surpreende.

Buller India Pale Ale - 6%ABV.

Cor: Cobre, límpida.
Aroma: Malte, caramelo, lúpulo.
Paladar: Malte, caramelo, lúpulo, bom amargor final, de boa intensidade e duração, seca, corpo médio. 

Boa cerveja. Na minha opinião é uma das duas melhores.

Buller Dry Stout - 5.8%ABV.

Cor: Preta opaca.
Aroma: Malte, torrefação, café, leve chocolate(?).
Paladar: Malte, torrefação, café, leve chocolate(?), bom amargor, com boa intensidade e duração, corpo médio/baixo.

Boa cerveja. Esta também está entre as duas melhores em minha opinião. Ela é servida com gás nitrogênio para dar o efeito cascata.

Estes foram os locais que visitei em Buenos Aires. Existe um outro Brewpub em Buenos Aires que eu gostaria muito de ter conhecido, o da cervejaria Antares. Hoje o único endereço fica no bairro de Palermo e lá existem as cervejas feitas em Mar del Plata, local da cervejaria. Infelizmente não tive oportunidade de passar por lá. A Antares talvez seja a micro cervejaria mais consolidada entre as artesanais argentinas. As cervejas da Antares podem ser encontradas em vários locais, desde bares e pubs especializados, lojas de cervejas artesanais e também em supermercados. Provei algumas por lá e também trouxe outras comigo, incluindo duas versões especiais que lançadas uma vez ao ano. Depois elas aparecerão aqui no blog.

As outras artesanais somente podem ser encontradas em locais especializados mesmo. Os dois principais supermercados para comprar uma cerveja são o Carrefour (com 2 endereços perto do centro e de pontos turísticos mais famosos como o Obelisco e a av. 9 de julio) e o Jumbo, que fica mais afastado no bairro de Palermo. É possível encontrar várias cervejas importadas como Samuel Smith (Imperial Stout,  Taddy Porter, Nut Brown Ale, Puro Brewed Lager, India Ale, Old Brewery Pale Ale),  Pilsner Urquell, Unibroue (incluindo a Terrible, não encontrada no Brasil), Staropramen,  Hofmark (Weisse e Pils), Leffe (incluindo a Radieuse, tão difícil de encontrar no Brasil), Maredsuous, Chimay, entre outras. Destaque para os preços que são bem melhores do que encontramos aqui no Brasil, principalmente quando encontramos algumas promoções.

Aproveito o post para agradecer uma pessoa que me deu boas dicas de locais para visitar e de cervejas para provar na cidade e também me ajudou a colocar as mão em duas grandes cervejas que estavam em falta nos mercados, o Eduardo Delleuze, autor do blog el baron de las cervezas.

10 março 2010

Turismo cervejeiro em Buenos Aires III - Cruzat Beer



Minha terceira parada no tour cervejeiro em Buenos Aires foi o bar Cruzat Beer. Este bar fica localizado dentro de uma bela galeria, o Paseo La Plaza, com entradas pela Rua Sarmiento, 1617 ou pela  av. Corrientes, 1660. O foco é a venda da bebida já gelada para consumo no local e por isso pode ser difícil conseguir comprar alguma em temperatura ambiente para levar para casa. Mesmo assim consegui encontrar algumas para também trazer para Fortaleza.

 Geladeira com cervejas artesanais da Argentina.

 Geladeira com cervejas importadas.

O Cruzat é um bar bonito, com uma decoração que lembra vagamente castelos medievais com suas paredes de pedra mas funciona como restaurante e Pub. Segundo eles mesmo lá está a maior disponibilidade de cervejas de toda a Argentina. Realmente a disponibilidade é grande e além das cervejas artesanais argentinas também é possível encontrar algumas cervejas importadas. Existem duas grandes geladeiras onde você pode escolher sua cerveja.

 Carta com cervejas disponíveis e preços.

Carta com cervejas importadas e preços.
Note que eles também servem Hidromel.

 A maioria das cervejas é vendida em garrafas, mas também é possível encontra mais de 10 cervejas serivdas como chope, ou "tiradas" como falam por lá. Infelizmente eles possuem problemas frequentes com essas "tiradas". Você corre o risco de receber seu chope em condições não muito boas, frequentemente contaminado. Foquei o consumo então nas garrafas. Por lá provei três cervejas diferentes: Kraken American Pale Ale, Montecristo Imperial Stout e El Bolsón Extra Negra de Invierno. Veja as impressões abaixo:

 

Kraken American Pale Ale Edición Especial - American Pale Ale, Ale, ABV desconhecido, garrafa 500ml.

Cor: Dourada, turva.
Espuma: Média formação e duração, cor branca.
Aroma: Lúpulo, malte, adocicado, mel.
Paladar: Lúpulo, malte, doce, mel, leve amargor, alta carbonatação, leve acidez.

Cerveja leve, sem grandes destaques. Para uma American Pale Ale mais fiel seria necessário utilizar variedades americanas de lúpulo, que puxam para o cítrico. Apesar de existir a produção de lúpulo cascade na Argentina, este não é o mesmo que é produzido nos EUA. Acredito que o uso de pouca variedades de lúpulo nas cervejas artesanais argentinas acaba produzindo padrões de aroma e sabor que se repetem muito.

  

El Bolsón Negra Extra de Invierno XXX -  Doppelbock, Lager, 8%ABV, garrafa 330ml.

Cor: Marrom escura, reflexos vermelho rubi, límpida.
Espuma: Boa formação, média/baixa duração, cor bege.
Aroma: Malte, doce, torrado, café, leve chocolate.
Paladar: Malte, doce, torrado, café, leve chocolate, leve acidez, leve amargor final, levemente seca.

Um pouco diferente de outras doppelbocks que já provei, puxando para um torrado mais forte e uma acidez presente também devido à torrefação dos maltes. Também poderia ser mais intensa já que o fabricante a classifica como Tripel Bock.

 

Montecristo Imperial Stout - Imperial Stout, Ale, 11% ABV, garrafa 330ml.

Cor: Preta opaca.
Espuma: Boa formação, média duração, cor marrom escura, bolhas grandes.
Aroma: Malte, chocolate intenso, torrado intenso (mais para queimado), doce.
Paladar: Malte, chocolate intenso, torrado intenso (queimado), doce, álcool, acidez bem presente, bom corpo, densa, alta carbonatação, seca, final doce com amargor presente.

Boa cerveja. Bem intensa. O adjetivo Imperial, muito utilizado pelos americanos, serve para classificar versões extremas de estilos clássicos. Elas podem ser extremamente maltadas, lupuladas ou tudo ao mesmo tempo. Esta aqui é bem maltada e doce. Acredito que seria melhor se tivesse uma lupulagem mais assertiva, equilibrando os sabores. Também senti uma acidez proveniente da torrefação que estava mais presente do que seria desejável.

07 março 2010

Turismo cervejeiro em Buenos Aires II - Cervelar Tienda de Cervezas



No segundo dia em Buenos Aires, minha primeira parada foi na Cervelar Tienda de Cervezas, um misto de bar e loja especializada em cervejas artesanais que fica no centro, na rua Viamonte, 336. Este foi o único local onde pude falar com alguém que realmente conhecia o que estava vendendo. Pablo, dono do Cervelar, é muito conversador, me recebeu muito bem e deu ótimas indicações de cervejas argentinas para provar. Todas as dicas dele foram certeiras!

 
 Prateleira com cervejas artesanais argentinas. 
Note os preços de algumas delas no quadro negro.

 
 Mais cervejas artesanais argentinas nas prateleiras.
Vejam os preços de outras cervejas no quadro: as importadas.

O Cervelar foi o local que mais visitei à procura de cervejas. O primeiro dia foi tão bom que fiz questão de voltar mais uma vez para provar mais cervejas. Em dois dias diferentes no Cervejar pude provar as cervejas Waffe Bier Belgian Witbier, Gülmen Lager Ahumada, Sixtofer IPA, Sixtofer Oatmeal Stout, Gülmen Barley Wine e Antares Barley Wine. Vejam as fotos e impressões que tive de cada uma abaixo. Também foi de lá que eu comprei a maioria das cervejas que trouxe comigo para Fortaleza. O motivo é que este era o único local onde via tantas cervejas artesanais ainda em temperatura ambiente, além de que os preços encontrados por lá também eram ligeiramente mais baixos.

 

Waffe Bier Belgian Witbier - Witbier, Ale, 5.7%ABV, garrafa 330ml.
Cor: Âmbar, turva.
Espuma: Média formação e duração, cor branca.
Aroma: Malte, adocicado, baunilha, cítrico, sementes de coentro.
Paladar: Malte, adocicado, baunilha, cítrico, sementes de coentro, corpo médio/baixo.

Boa. Totalmente no padrão de uma Wit a não ser pela cor, um pouco mais escura do que o normal.

  

Gülmen Lager Ahumada - Rauchbier, Lager, 5.3%ABV, garrafa 330ml.
Cor: Âmbar escura, levemente turva.
Espuma: Média formação e baixa duração.
Aroma: Malte defumado.
Paladar: Defumado, leve amargor, corpo médio baixo.

Diferente. Acredito que o malte defumado é feito na própria cervejaria pois é bem diferente dos tons de defumação que encontramos nas cervejas que utilizam malte de Bamberg. A cervejaria fica na Patagônia. Quem já provou carnes e peixes defumados daquela região pode ter uma noção deste tom de defumação a que me refiro. Senti um gosto forte de salmão defumado, muito parecido com o salmao defumado da Patagônia.

  

Sixtofer India Pale Ale - India Pale Ale, Ale, 6%ABV, garrafa 330ml.  

Cor: Cobre, límpida.
Espuma: Boa formação e duração, bolhas pequenas, consistente, cor bege.
Aroma: Malte, caramelo, lúpulo, floral.
Paladar: Malte, caramelo, lúpulo, ótimo amargor final, duradouro, bom corpo, seca.

Muito boa. Uma IPA bem feita. Esta foi uma das melhores que provei na viagem. Recomendo.

  

Sixtofer Oatmeal Stout - Oatmeal Stout, Ale, 5.9%ABV, garrafa 330ml.
Cor: Preta opaca.
Espuma: Boa formação e duração, cor bege escura.
Aroma: Malte, torrado, chocolate.
Paladar: Malte, torrado, chocolate, leve amargor, levemente seca, corpo médio.

Boa cerveja.

  

Gülmen Barley Wine - Barley Wine, Ale, 10%ABV, garrafa 355ml.
Cor: Âmbar escura, leve turbidez.
Espuma: Média formação e duração, cor marfim.
Aroma: Malte, doce, caramelo, toffee, melaço.
Paladar: Malte, doce, caramelo, toffee, melaço, leve acético.

Cerveja sem muito destaque. Não parecia muito com outras Barley Wine que já provei. Também estava com uma leve nota acética

 

Antares Barley Wine - Barley Wine, Ale, 10%ABV, garrafa 330ml.

Cor: Cobre, límpida.
Espuma: Média formação e duração, cor marfim.
Aroma: Malte, doce, caramelo, toffee, lúpulo.
Paladar: Malte, doce, caramelo, toffee, lúpulo, amargor final intenso e duradouro, seca, bom corpo.

Muito boa! Também não parece com maioria das Barley Wine que já provei. A lupulagem é muito intensa, aparecendo até mais que os maltes em alguns momentos. Como gosto muito de cerveja bem lupuladas esta aqui me agradou muito. Gostei da experiência.

04 março 2010

Turismo cervejeiro em Buenos Aires I - The Kilkenny Irish Pub.

  
 Entrada do The Kilkenny.

Viajar é uma das minhas atividades prediletas. Outra delas é conhecer sempre cervejas novas. Sempre que viajo, tento aproveitar para conhecer as cervejas locais e até mesmo visitar alguma cervejaria. Estive em Buenos Aires nos útimos dias de 2009 e pude conhecer melhor o movimento cervejeiro artesanal dos hermanos. Assim como no Brasil, hoje a Argentina tem um movimento microcervejeiro que, apesar de recente, está crescendo e se fortalecendo. Na capital, podemos encontrar alguns bons bares cervejeiros com inúmeras cervejas artesanais locais e algumas importadas, principalmente da Alemanha e da Bélgica.

Meu vôo chegou quase de madrugada. Mesmo assim eu não quis perder tempo, pois ficaria somente por 2 dias úteis e mais um dia que seria um feriado e provavelmente não teria muitos locais abertos com cerveja disponível. Passei no hotel para deixar as malas e já fui conhecer um dos locais que estavam programados em minha agenda, o belíssimo Irish Pub The Kilkenny.


Em sentido horário: placa na entrada do The Kilhenny anunciando as cervejas Gambrinus, placa da Gambrinus na Parede do Pub e imagens da chopeira com saída para as três versões da Gambrinus no andar superior do Pub.

Na porta do Pub já podia ler que eles serviam uma cerveja artesanal: a Gambrinus. Tinha lido sobre ela antes da viagem e, pelo que consta, só pode ser encontrada mesmo no The Kilkenny como chope, ou como os argentinos dizem, "tirada". A Gambrinus pode ser encontrada em três versões: Premium Pilsner, Gaelic Pale Ale e Celtic Sout.

Imagem do balcão no andar infeiror, onde tomei minhas cervejas. Veja or preços cobrados pelas cervejas nos quadros negros.

Os preços das Gambrinus eram de 13 Pesos argentinos (em torno de 6 Reais) pelo Pint da Pilsner e 21 Pesos (em torno de 10 Reais) pelo Pint da Stout e da Pale Ale. Alem delas tinha disponível também Heineken, Grolsh, Paulaner, Warsteiner, Corona, Leffe Blond, Leffe Brune, Staropramen, Stella Artois, Iguana, além de chopes Guinness e Kilkenny (veja os preços de cada uma em Pesos clicando na foto acima).

Comecei pedindo a Celtic Stout pois não sabia se permaneceria por muito tempo devido ao cansaço da viagem e da hora já adiantada. Ele é uma Dry Stout muito boa, fidelíssima com seus sabores de torrefação e café, o amargor bem presente e a sensação final seca. Tentei pedir alguma informação para o barman, mas infelizmente ela não tinha nem idéia do que estava servindo. Se for por lá não perca seu tempo perguntando! Como já tinha pesquisado antes de ir eu já sabia que a cerveja era servida nitrogenada. Logo depois eu pedi a Gaelic Pale Ale, que parece ser uma English Pale Ale ou talvez até mesmo uma Extra Special Bitter pela sua lupulagem intensa. Uma cerveja muito bem feita com sabor de caramelo e lúpulo e um amargor intenso e duradouro. Deliciosa! Ela também é servida nitrogenada e foi uma das melhores cervejas que provei em toda a viagem. Depois da Pale Ale decidi não provar a Pilsner pois já era muito tarde e o dia seguinte prometia.

 
Gambrinus Celtic Sout já depois de um pequeno gole e Gambrinus Gaelic Pale Ale com um resquício do efeito cascata provocado pelo nitrogênio. Recomendadas!

Para quem quiser visitar o The Kilkenny, ele fica muito próximo da maioria dos hotéis no centro da cidade, na Rua Marcelo T. de Alvear, 399. Eu mesmo fui andando do meu hotel, bem perto da conhecida rua Florida. O Pub é belíssimo, principalmente no pavimento superior onde tem um grande salão com vitrais muito bonitos. Além disso, as cervejas são muito boas e têm preços bem melhores do que encontramos aqui no Brasil.

Aguardem por mais lugares e cervejas nos próximos posts.

22 fevereiro 2010

La Trappe Isid'or



As cervejas La Trappe são fabricadas dentro do monastério de Koningshoeven, na Holanda. Este é o único mosteiro trapista que fabrica cerveja neste país. Todos os outros seis estão na Bélgica. As cervejas trapistas mais conhecidas deste monastério são as La Trappe Blond, Dubbel, Tripel e Quadrupel, além de uma Witbier e uma Bock feita com fermento ale. O objetivo deste post não é apresentar a cervejaria e sua história, mas somente a nova cerveja que foi lançada em 2009 como edição especial. Fico devendo um post com a história completa do mosteiro e das cervejas fabricadas por lá.

A La Trappe Isid'or foi criada para as comemorações dos 125 anos de fabricação de cerveja dentro de Koningshoeven. O primeiro cervjeiro foi o frade Isidorus Laaber e a nova cerveja recebeu seu nome como homenagem. Como regra da Ordem Trapista, parte dos lucros das atividades desenvolvidas pelos mosteiros é utilizada para obras de caridade. No caso da Isid'or, o objetivo era de arrecadar fundos para a construção de um novo mosteiro em Unganda para abrigar os frades que fugiram da guerra civil no Quênia ainda em 2008.

 Rótulo da La Trappe Isid'or que retrata seu 
primeiro mestre-cervejeiro, o frade Isidorus Laaber

Apesar de ter sido lançada como edição especial e limitada, os frades de Koningshoeven tiveram a idéia de perguntar aos amantes das cervejas La Trappe se deveriam continuar a fabricação da Isid'or e definitivamente integrá-la ao portfólio de produtos da cervejaria. A convocação foi realizada através do blog da cervejaria, o Weblog van de abt (ou Blog do Abade, em português). Durante os últimos dia de 2009 e os primeiros dias de 2010 esteve aberta uma votação por e-mail. No final foram recebidos 125 e-mails, dos quais 114 eram positivos à continuidade da fabricação. Uma ótima notícia, pois a cerveja realmente é muito boa. Quem importa as La Trappe no Brasil hoje é a BUW. Será que agora a Isid'or continuará a ser trazida?


La Trappe Isid'or - Belgian Pale Ale, 7.5%ABV, garrafa 750ml.

Cor: Âmbar escura, leve turbidez.
Espuma: Boa formação e média duração, cor bege clara, bolhas bem pequenas, consistente, deixa algumas marcas pelo copo.
Aroma: Malte, adocicado, lúpulo, mel, frutado (laranja, maçã, banana), fenólico, picante.
Paladar: Malte, doce, leve caramelo, mel, lúpulo (cítrico, condimentado), frutado (laranja, maçã, banana), fenólico, picante, leve álcool, amargor final de média intensidade e boa duração, bom corpo, textura aveludada.

Ótima cerveja. Que fermento maravilhoso! A cerveja tem um aroma esterificado maravilhoso, lembrando muitas frutas (laranja, banana, maçã). Ela tem uma boa complexidade, mas mesmo assim um ótimo drinkability. Seria capaz de ficar tomando uma garrafa atrás da outra. Também é possível notar uma bela lupulagem nela. Como curiosidade uma das variedades de lúpulo utilizada é o Perle, mas cultivado dentro do próprio mosteiro. Fiquei  positivamente surpreendido por esta La Trappe.


18 fevereiro 2010

Bamberg


A micro cervejaria Bamberg nasceu no ano de 2005 em Votorantim, nas imediações de Sorocaba, interior de São Paulo. Depois de visitar várias cervejarias ao redor do mundo, os irmãos Alexandre, Thiago e Lucas realizaram um estudo e decidiram abrir uma cervejaria. A escolha do nome Bamberg foi uma homenagem à cidade alemã referência em produção de cervejas. A cidade de Bamberg é um importante centro turístico e cultural, que tem como uma de suas principais atrações turísticas a Cidade Histórica, famosa por sua rica arquitetura medieval, ainda preservada depois de séculos, e reconhecida como patrimônio histórico mundial. Além disso, possui outra interessante característica: sua densidade de cervejarias por habitantes é a maior do mundo. Essa grande quantidade de cervejarias tem por base uma tradição de quase 900 anos, iniciada com a fabricação das primeiras cervejas em monastério por volta do século XII.

Hoje, além da quantidade, Bamberg também é conhecida pela variedade da bebida, seus ingredientes cuidadosamente cultivados e selecionados, a qualidade do produto final e as características artesanais de sua produção, conservadas através de sua história. Tudo isso faz com que a cerveja seja descrita pelos habitantes da Baviera como o quinto elemento da natureza, juntamente com a terra, ar, água e fogo.

O primeiro saco de malte foi jogado na tina de cozimento no dia 18 de dezembro de 2005 e como não poderia ser diferente, este malte veio da cidade de Bamberg. A Bamberg produz cervejas de estilos tradicionais alemães. Até hoje eles já produziram Pilsen, Weizen, Munchen, Altbier, Kolsch, Bock,  Schwarzbier e Rauchbier. A última produzida foi a Weizenbock, mas ela não teve ainda lançamento oficial no mercado. Além das cervejas que levam o nome Bamberg, também já foram produzidas por lá as cervejas Tcheca, Saint Nicholas e Vintage Nº1, todas da Biertrupe, e a Melograno Uno, do restaurante Melograno. 

Apesar do pouco tempo de história, a Bamberg já teve muitas conquistas, sendo a mais significativa delas a medalha de prata na categoria Smoked Beer no European Beer Star de 2009 com a Rauchbier. Este estilo de cerveja é característico da cidade de Bamberg e a intenção foi de realmente fazer uma cerveja defumada que pudesse lembrar aquelas produzidas na Alemanha. Para isso o mestre-cervejeiro alemão Stefan Grauvogl foi convidado para elaborar a receita e produzir a cerveja in loco.


Bamberg Pilsen - Pilsen , Lager,  4.8%ABV, garrafa 355ml.
Cor: Dourada clara, brilhante, lípida.
Espuma: Boa formação e média duração, cor branca, boa consistência.
Aroma: Malte, lúpulo.
Paladar: Malte, lúpulo, amargor final de média intensidade e duração, corpo leve/médio, alta carbonatação.

Boa cerveja. O nome é Pilsen mas na verdade ela foi elaborada para ser menos intensa que uma Pilsen tradicional e assim agradar mais ao paladar do público brasileiro. Mesmo modificada ela ficou muito boa e pode ser considerada uma das melhores artesanais brasileiras no estilo. Caracterizada por um ótimo equilíbrio malte/lúpulo e um alto drinkability, ela é muito bem vinda para o dia-a-dia. Se puder encontrá-la novinha fica ainda melhor pelo frescor dos ingredientes que ficam mais acentuados e agradáveis.



Bamberg Weizen - Weizenbier, Ale, 4.8%ABV, garrafa 355ml.

Cor: Âmbar, turva.
Espuma: Alta formação e duração, cor marfim, boa consistência.
Aroma: Malte, adocicado, frutado, banana, tutti-frutti, cravo, cítrico.
Paladar: Malte, doce, frutado, banana, tutti-frutti, cravo, cítrico, amargor quase inexistente, corpo médio, alta carbonatação, leve acidez, refrescante.

Boa cerveja. Típica German Weissbier com todos os elementos que esperamos: banana, cravo, cítrico. Muito bem feita.



Bamberg Bock - Bock, Lager, 6.5%ABV, garrafa 355ml.

Cor: Cobre escura/marrom, límpida, reflexos vermelho rubi.
Espuma: Boa formação e média duração, cor bege, boa consistência.
Aroma: Malte, adocicado, caramelo, toffee, leve álcool, picante.
Paladar: Malte, doce, caramelo, toffee, leve álcool, picante, amargor de média intensidade, sensação final doce e picante, corpo médio, boa textura.

Boa cerveja. Malte predominante como deve ser uma Bock com leves toques de álcool e a sensação picante provocada por ele.



Bamberg Rauchbier - Rauchbier, Lager, 4,8%ABV, garrafa 355ml.

Cor: Cobre, límpida.
Espuma: Boa formação e baixa duração, cor bege clara.
Aroma: Malte, defumado, caramelo, lúpulo.
Paladar: Malte, defumado, doce, caramelo, lpupulo, amargor final de boa intensidade e duração, bom corpo, textura oleosa, alta carbonatação, leve acidez.

Boa cerveja. Tem um defumado bem presente mas que não fica enjoativo. A doçura dos maltes é muito bem balanceada com o amargor final, o que deixa o conjunto mais palatável e com um ótimo drinkability. Equilibradíssima!


Bamberg Rauchbier com o novo rótulo que ostenta 
orgulhosamente seu prêmio internacional conquistado em 2009.

Não deixe de acompanhar algumas notícias e histórias interessantes no blog da cervejaria, escrito pelo Alexandre Bazzo. Eu gosto muito das experiências em cervejarias alemãs relatadas pelo Alexandre.

09 fevereiro 2010

Stone IPA


A Stone Brewing Co. surgiu de uma parceiria entre dois entusiastas da cerveja. O cervejeiro Steve Wagner e o empresário Greg Kock se conheceram em Los Angeles no ano de 1989. Na oportunidade Steve tocava em uma banda e foi um dos primeiros clientes do estúdio que Greg alugava para ensaios. Anos depois eles se reencontraram durante uma aula de avaliação de cervejas. Durante a aula eles descobriram que não somente compartilhavam da mesma paixão pela cerveja, mas que também tinham gostos parecidos. Durante três anos eles mantiveram contato. Foi inevitável chegar à conclusão de que deveriam abrir a própira cervejaria. Aproveitando os conhecimentos e a experiência de Steve na produção de cerveja e o histórico de sucesso de Greg como empresário eles conseguiram convecer alguns investidores a apostar na dupla. Dessa forma eles compraram os equipamentos necessários para começar os negócios. A cervejaria foi fundada no dia 1º de fevereiro de 2006 na cidade de San Marcos, Califórnia. No dia 26 de julho do mesmo ano eles serviram a primeira cerveja direto do barril na sala de degustação da cervejaria: a Stone Pale Ale.

Em 2006, a cervejaria Stone saiu de San Marcos e instalou-se em uma fábrica com melhor estrutura e maior capacidade de produção na cidade de Escondido, também no estado da Califórnia.

O logotipo da Stone é uma gárgula. No contra-rótulo da cerveja podemos ler em inglês o motivo do uso desta figura gótica: afastar os maus espíritos do mundo moderno como preservativos químicos, aditivos e adjuntos em nossas cervejas. Eles ainda te desafiam: prove uma vez e veja se o trabalho da gárgula não é bem feito!

Contra-rótulo da Stone IPA: muitas informações interessantes como o motivo da gárgula, o perfil da cerveja e a filosofia da cervejaria. 

A Stone sempre se destacou pela excelente qualidade das cervejas que produz. Entre elas posso citar a Stone Arrogant Bastard Ale, a Oaked Arrogant Bastard Ale e a Stone Levitation Ale. Tive a oportunidade de provar as duas últimas em um evento no bar Frangó no ano passado (veja aqui mais detalhes). 

Também  existe uma série de cervejas especiais lançadas por eles e sempre chamada de Stone Vertical Epic. A maior curiosidade dessa séria é que a cervejaé lançada uma vez por ano. A primeira foi em 02/02/02, em seguida em 03/03/03. A última será lançada em 12/12/12. No site deles você poderá ler mais sobre as produções da Stone.

A Stone IPA é uma India Pale Ale, um estilo tradicional britânico onde uma Pale Ale era produzida com maior teor alcoólico e maiores quantidades de lúpulo. Ambos, álcool e lúpulo, têm propriedades conservantes desejáveis às cervejas transportadas nas longas viagens da Inglaterra até a sua colônia, a Índia. A grande diferença da Stone IPA para as tradicionais IPA britânicas está nas variedades de lúpulos utilizadas. Os americanos usam lúpulos locais, típicos da terra do tio Sam, os quais dão um toque diferenciado, geralmente mais cítricos. Além dos tipos de lúpulo, os americanos, que costumam ser superlativos e exagerados em tudo o que fazem, também começaram a colocar quantidades cada vez maiores de lúpulo em suas cervejas. Muitos até discutem se essa adição de tipos de lúpulos diferentes e a busca por cervejas extremas seriam motivo para considerar a existência de uma escola cervejeira americana. O certo é que muito do que eles produzem é realmente intrigante, diferente e gostoso.


Stone IPA - American IPA, Ale, 6.9%ABV, garrafa 355ml.

Cor: Âmbar clara, levemente turva.
Espuma: Boa formação, média duração, cor branca amarelada, média consistência, deixa muitas marcas pelo copo.
Aroma: Lúpulo, floral, pinheiro, cítrico, leve frutado (limão, laranja, grapefruit), malte, caramelo.
Paladar: Leve adocicado, caramelo, lúpulo, pinheiro, cítrico, frutado ( limão, laranja, grapefruit), leve picante, amargor final de grande intensidade e duração, corpo médio.

Ótima cerveja. O aroma é incrível e delicioso. A sensação é quase a mesma de sentir o aroma de um punhado de flores de lúpulo na palma da mão (provavelmente devido ao dry-hopping). É possivel sentir quase todos os elementos que podem vir do lúpulo: floral, pinheiro e cítrico. O malte também aparece com sugestões de caramelo e leve adocicado, dando maior equilíbrio ao conjunto. O sabor segue como o aroma e apresenta notas intensas de lúpulo e pode lembrar um doce de frutas cítricas. Delicioso. O amargor é intenso e duradouro (dura quase 2 minutos na boca depois de um gole). Para quem ainda não está acostumado é uma porrada. Eu adorei!

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