12 Dezembro 2009

Eisenbahn Weihnachts Ale




Dando continuidade ao posts com cervejas natalinas, desta vez queria falar da cerveja comemorativa da cervejaria blumenauense Eisenbahn. Esta cervejaria é a micro brasileira que mais tem se destacado em concursos internacionais. Depois da aquisição da empresa pelo Grupo Schincariol em 2008 muitos entusiastas da boa cerveja e fãs das cervejaria ficaram preocupados com a qualidade das cervejas. Verdade seja dita, as cervejas continuaram sendo fabricadas, com uma rede de distribuição muito mais eficiente e abrangente e a qualidade não mudou , ou pelo menos eu não percebi mudanças.

Quanto ao novo setor de marketing da companhia, o Concurso Mestre-Cervejeiro, que premia a melhor receita de cervejeiros caseiros e também originou-se antes da aquisição, teve sua segunda edição em 2009. A terceira chegou a ser ameaçada, mas após protestos foi devidamente mantida para 2010. Mas a cerveja comemorativa de Natal, a Weihnachts Ale, não foi produzida neste final de ano. O motivo não sei dizer qual foi, mas como disse no último post, até mesmo a Baden Baden Christmas Beer, também do Grupo Schincariol, não foi lançada este ano!



Para quem não sabe, Weihnachts significa Natal em alemão. A escolha no idioma alemão se justifica pela origem das principais cervejas produzidas por eles e até mesmo o nome da cervejaria. Leia mais sobre a história da Eisenbahn clicando aqui.

A Eisenbahn Weihnachts Ale é atualmente classificada como uma Amber Ale no site da cervejaria, mas em outras épocas já foi classsificada como Belgian Dubbel nas garrafas. Ela é considerada por muitas pessoas como uma das melhores cervejas produzidas pela Eisenbahn. Alguns dizem ter notado diferenças na última edição, que foi lançada em 2008. Tive a oportunidade de de conseguir uma garrafa e vou dividir a minhas impressões com vocês. Espero que desta forma possamos matar um pouco das saudades que teremos pela falta dela este ano e que no próximo ano ela possa voltar com toda força às nossas mesas durante a ceia de Natal.



Eisenbahn Weihnachts Ale - Amber Ale (?), 6.3%ABV, garrafa 355ml.

Cor: Cobre, leve turbidez.
Espuma: Boa formação e duração, cor marfim, bolhas bem pequenas, boa consistência.
Aroma: Malte, adocicado, caramelo, condimentado, leve citrico, leve fenólico, lúpulo.
Paladar: Malte, doce, caramelo, condimentado, leve cítrico, leve fenólico, leve picante, bom amargor final, corpo médio.

Boa cerveja. Com certeza uma das melhores da linha Eisenbahn. Lembra bem algumas ales belgas com um condimentado e fenólico picante, além de um bom corpo. A questão da classificação poderia ser revisada pela companhia. Quem sabe voltem a produzí-la para que possamos definir melhor esta questão!

09 Dezembro 2009

St Feuillien Cuvée de Noel




A tradição de fabricar cervejas especiais para a época do Natal é grande na Europa. Durante as festas é inverno no velho continente e por isso as cervejas fabricadas para o Natal são elaboradas para o clima frio. Elas têm maior graduação alcoólica, mais corpo e complexidade também. Várias cervejarias fabricam suas cervejas de Natal ou Christmas Beer. Na Bélgica, via de regra o que encontramos são versões elaboradas a a partir de outras cervejas que já fazem parte da produção da cervejaria e podemos encontrar semelhança entre a cerveja base e a versão especial de Natal. O que sempre chama minha atenção nas garrafas das cervejas de Natal belgas é o cuidado com os rótulos. Sempre são bem bonitos e trazem imagens que remetem às comemorações, como árvores de Natal, Papai Noel com seu trenó e a neve, obviamente.


Neve e uma árvore de Natal no belo rótulo da St Feuillien Cuvée de Noel.

Ao contrário do que acontece na Europa, no Brasil estamos em pleno verão durante o Natal, época de muito calor. Não existe grande tradição de fabricação de cervejas de Natal em nosso país. Duas delas são a Eisenbahn Weihnachts Ale, a qual não será produzida para 2009, e a Baden Baden Christmas Beer, que ainda não encontrei também este ano. As duas são cervejas mais leves do que encontramos normalmente nas versões européias, provavelmente devido a uma adaptação para o nosso clima.

Outra cerveja de Natal que já pudemos encontrar foi a Saint Nicholas. Esta infelizmente foi uma versão limitada, feita uma única vez pela Biertruppe. Pude degustar as duas versões da Saint Nicholas exatamente há um ano atrás para o Natal de 2008. Você pode ler o post publicado sobre as duas vesões clicando aqui.

Como estamos em dezembro e já bem perto do Natal, resolvi fazer alguns posts com algumas destas cervejas especiais. A primeira delas será a St Feuillien Cuvée de Noel. A história da cervejaria St Feuillien já foi publicada aqui no blog, junto com minhas impressões sobre outras três cervejas feitas por eles. Leia o post clicando aqui.



St Feuillien Cuvée de Noel - Belgian Dark Strong Ale, 9%ABV, garrafa 330ml.

Cor: Cobre escura/marrom, turva.
Espuma: Média formação e duração, cor bege, boa consistência, deixa marcas pelo copo.
Aroma: Malte, doce, frutado (ameixa, passas), caramelo, toffee, melaço, vinho do porto, fenólico, leve picante.
Paladar: Malte, doce, frutado (ameixa, passas), caramelo, toffee, melaço, vinho do porto, chocolate, fenólico, leve picante, leve álcool, amargor presente, sensação final alcoólica, picante e doce, ótimo corpo, licoroso.

Ótima cerveja. Ela é ao mesmo tempo muito complexa e extremamente harmoniosa. Malte, lúpulo, frutado, fenóico, picante, alcoólica, tudo está presente e perfeitamente balanceado. Como destaque coloco o frutado que lembra frutas escuras, melaço, vinho do porto e a sensação fenólica picante que aquece a garganta, deixando um longo final. Deliciosa!

03 Dezembro 2009

Poperings Hommel Bier




A história desta cervejaria familiar e indepedente tem início já por volta do ano de 1629. A família Van Yedegem tornou-se moradora da cidade de Watou na Bélgica (perto da fronteira com a França) e proprietária de um castelo. Anexo ao castelo eles construíram uma cervejaria. Durante a revolução francesa o castelo e a cervejaria foram destruídos e a família fugiu para a Inglaterra. No mesmo ano da destruição, a cervejaria foi reconstruída por um morador da região.

Em 1862, a cervejaria virou propriedade da família Van Eecke e recebeu um novo nome, Gouden Leeuw (leão dourado em português). Hoje a cervejaria recebe o mesmo nome da família, Van Eecke. Nesta época a cervejaria era conhecida somente na região, mas ganhou projeção depois da II Guerra Mundial. Após a Guerra eles começaram a produzir uma cerveja de abadia, a Het Kapittel. A Het Kapittel é produzida até hoje, mas a cerveja mais popular e que melhor representa a cervejaria é a Poperings Hommel Bier.

Poperinge é uma pequena cidade bem próxima de Watou e é conhecida como a capital do lúpulo na Bélgica. É uma das poucas regiões onde ainda se planta lúpulo na Bélgica e a importância desta planta é tão grande na região que eles têm até um festival de lúpulo que ocorre em setembro, na mesma época da colheita. As férias escolares coincidem com a época da colheita para que as crianças também possam ajudar. As principais variedades de lúpulo plantadas em Poperinge são Wye Target, Northern Brewer, Challenger e Hallertau. Hommel significa humulus no dialeto local e humulus é a denominação botânica do lúpulo, mais especificamente humulus lupulus.

Com esse nome dá para saber que esta é uma cerveja com um perfil lupulado bem assertivo. A Poperings Hommel Bier é uma Belgiam IPA, estilo belga que mistura as reações proporcionadas pelas cepas de fermento belgas com os maravilhosos aroma e amargor porporcionados por uma carga de lúpulo acima do que normalmente encontramos em cervejas belgas. Nesta são utilizados os lúpulos Brewers Gold e Challenger para amargor e Hallertau para aroma. A cerveja ainda recebe uma refermentação na garrafa que contribui para uma maior complexidade.


Poperings Hommel Bier - Belgian IPA, Ale, 7.5%ABV, garrafa 330ml.

Cor: Âmbar, levemente turva.
Espuma: Boa formação e duração, cor marfim, consistente, formando picos, deixa marcas pelo copo.
Aroma: Lúpulo, cítrico, herbáceo, malte, adocicado, frutado (laranja, limão, maçã), leve picante, condimentado.
Paladar: Lúpulo, cítrico, malte, frutado (limão), leve picante, condimentado, amargor final destacado, com alta intensidade e duração, alta carbonatação, corpo médio, seca.

Ótima cerveja. Tem as características de uma boa Belgian Ale com o toque nada discreto de lúpulo. No aroma, o lúpulo é a primeira sensação que aparece, com notas cítricas mais destacadas, além de herbáceo e condimentado. No sabor, o lúpulo também é bem presente, principalmente cítrico. O amargor é intenso e delicioso com uma sensação residual prolongada. Sou suspeito ao falar, pois adoro cervejas lupuladas. Esta aqui eu adorei.


28 Novembro 2009

Novidade no mercado: Cerveja Paulistânia


A importadora Bier & Wein atua desde 1993 com cervejas especiais. Algumas ótimas cervejas chegam ao Brasil através deles, como La Trappe, Urthel, Unibroue, Palm, Boon, Hofbrau e a cerveja de trigo mais vendida no país, a Erdinger. Neste mês de novembro foi anunciado na cidade de São Paulo o mais novo lançamento da BUW, a sua própria marca de cerveja.

Chamada de Paulistânia, esta nova cerveja tem um belo trabalho de marketing. Ela será encontrada com 12 rótulos diferentes, reproduzindo fotos antigas de locais importantes na cidade de São Paulo. Segundo a empresa, esta é uma forma de celebrar as tradições e a diversidade cultural comum a todas as metrópoles do Brasil e do mundo. A intenção, em futuras edições, é de homenagear outras cidades e povos brasileiros que fazem de São Paulo a cidade de todos. As bolachas da Paulistânia trazem textos com curiosidades e dicas sobre a cidade.

O conjunto com todos os rótulos desta primeira edição da Paulistânia pode ser visto acessando o site da cerveja: www.cervejapaulistania.com.br.

Kit da Paulistânia com duas garrafas de 600ml e uma taça.

Apesas de gostar muito destas estratégias de trabalhar a imagem de um produto, o que mais interessa a um apreciador de boas cervejas é a qualidade da bebida. Não fosse assim, uma cerveja belga sem rótulo não seria considerada a melhor do mundo! A BUW não é uma cervejaria e por isso eles terceirizaram a produção da sua cerveja. A Paulistânia é produzida sob licença pela Casa Di Conti Ltda, que fica em Cândido Mota (SP) e produz a cerveja Conti Beer. A receita utilizou dois tipos de malte e dois tipos de lúpulo. A empresa a classifica como uma Pale Lager e disponibiliza a cervejas em garrafas de 600ml. O preço anunciado para a Paulistânia é de R$7.90 em bares e restaurantes e R$4.90 em pontos de auto-serviço e lojas. A previsão é de que esteja disponível também em versão chope a partir de dezembro.

Consegui um kit contendo duas garrafas e uma taça. Aliás, belíssima taça. Tenho certeza de que vai chamar atenção dos colecionadores.


Paulistânia - Premium American Lager, 4.8%ABV, garrafa 600ml.

Cor: Dourada, límpida e brilhante.
Espuma: Média formação, média/baixa duração, cor branca, bolhas bem pequenas, boa consistência.
Aroma: Malte, lúpulo, leve cítrico (?), floral.
Paladar: Malte, biscoito, pão, leve doce, leve acidez, amargor final equilibrado, de boa duração, seca, corpo leve, refrescante.

Cerveja leve, refrescante e equilibrada. As carcterísticas principais de aroma e sabor dela remetem a malte e lúpulo. Eles estão lá, são facilmente identificáveis e estão muito bem equilibrados. O amargor dela é uma boa surpresa. No início dá a impressão de ser um amargor tímido, mas em poucos segundos ele fica mais evidente, toma a boca e deixa uma sensação gostosa na boca. Claro que a temperatura de serviço influencia muito o potencial de amargor. Se você gosta de cerveja mais amarga, recomendo não degustar muito gelada. Está muito boa para o que se propõe: uma Lager leve e refrescante para brigar com as outras que temos no mercado. Pessoalmente gostei mais do sabor que do aroma, que poderia ser mais limpo, principalmente o de lúpulo.

22 Novembro 2009

Cervejas brasileiras premiadas no European Beer Star 2009

O European Beer Star é um dos concursos internacionais de cerveja mais respeitados do mundo. O concurso é realizado na Alemanha anualmente desde 2004. Nesta sexta versão foram avaliadas 836 cervejas de mais de 30 países. As cervejas são avaliadas por juízes de vários países através de testes cegos dentro de categorias pré-estabelecidas. Neste ano foram 78 juízes e 41 categorias diferentes. As melhores cervejas em cada categoria recebem medalhas de ouro, prata e bronze.

O Brasil está fazendo bonito no European Beer Star. Este já é o terceiro ano em que temos cervejas brasileiras premiadas no concurso. Desta vez timevos as seguintes premiadas:


Eisenbahn Dunkel - Ouro na categoria German Style Schwarzbier.
Eisenbahn Weizenbock - Prata na categoria South German Style Weizenbock dark/dunkel.
Bamberg Rauchbier - Prata na categoria Smoked beer/Rauchbier.
Baden Baden Stout - Bronze na categoria Dry Stout.

Destaque para o primeiro Ouro da Eisenbahn Dunkel que já faturara o bronze em 2008 e 2007. Destaque também para a Eisenbahn Weizenbock, que já ganhara o bronze em 2007, agora ficou uma posição melhor. A Baden Baden Stout era a atual campeã na categoria Dry Stout. Apesar de ter ficado com a medalha de Bronze este ano, não podemos achar que ela deixou de ser uma boa cerveja. Estar entre as premiadas já é um grande resultado. A Bamberg é novata no European Beer Star e estreou de forma sublime, abocanhando uma prata com sua deliciosa Rauchbier. Meus parabéns a todos os premiados e que venham muito mais prêmios pela frente!

Veja os resultados em todas as categorias clicando aqui.

Equipe de jurados do concurso de 2009.
Olha a nossa representante brasileira: a Cilene Saorin (destaque vermelho).
Correção de última hora: também na foto a nossa outra representante, a beer sommelier Kátia Zanatta (destaque verde).


Clique no mapa e veja a distribuição de medalhas por país.

Veja as cervejas brasileiras premiadas em anos anteriores:

2008:
Baden Baden Stout - Ouro na categoria Dry Stout.
Colorado Demoiselle - Ouro na categoria Porter.
Eisenbahn Dunkel - Bronze na categoria German Style Schwarzbier.
Eisenbahn Pilsen - Bronze na categoria Mild Beer.

2007:
Eisenbahn Dunkel - Bronze
na categoria German Style Schwarzbier.
Eisenbahn Weizenbock - Bronze na categoria South German Style Weizenbock dark.

Visite o site oficial do concurso e os resultados de anos anteriores clicando aqui.

17 Novembro 2009

Hoegaarden Verboden Vrucht/ Le Fruit Défendu


A história da Hoegaarden já foi descrita neste blog em outro momento, assim como também a saborosíssima Hoegaarden Grand Cru. Para deixar esta família um pouco mais completa, desta vez vou falar de uma das irmãs mais prestigiadas: a Hoegaarden Verboden Vrucht (em neerlandês, uma das línguas oficiais da Bélgica). Esta cerveja também é conhecida como Le Fruit Défendu em francês, Forbidden Fruit em inglês ou, como diríamos em português, simplesmente Fruto Proibido.


O nome da cerveja tem um porquê. Ela foi criada entre os anos de 1980/82 pelo pai da Hoegaarden, Pierre Celis, e nasceu com outro nome, Diesters, por ter sido criada para as festividades anuais da cidade de Diest, localizada no Brabante Flamenco belga. No início ela era produzida pela cervejaria Cerckel. Quando a Cerckel foi comprada pela cervejaria Haacht, Celis foi proibido de utilizar o nome Diesters. Desta proibição ele teve a idéia de usar o nome Fruto Proibido para a cerveja.

Um dos pontos mais marcantes da Hoegaarden Verboden Vrucht/ Le Fruit Défendu é o seu belíssimo rótulo. Nele podemos ver uma ilustração de Adão e Eva no paraíso, cada um com uma taça de cerveja na mão. Com certeza estas taças estão repletas da deliciosa cerveja criada por Celis! Idéia genial retratar a cerveja como o fruto proibido no paraíso!

Adão e Eva - Pintura original de Peter Paul Rubens.

Na realidade, esta ilustração foi baseada na pintura original Adão e Eva do artista barroco Peter Paul Rubens (1577-1640). Rubens nasceu na cidade de Siegen, que fica hoje na Alemanha, mas viveu a maior parte de sua vida e desenvolveu seu trabalho em Flandres na Bélgica. No rótulo da cerveja, assim como na pintura, Adão e Eva estão seminus ( se é que uma folhinha pequena pode elevar a classificação de nudez para a seminudez).

Quando a Hoegaarden Fruto Proibido chegou pela primeira vez nos Estados Unidos ela foi banida pelo American Bureau of Alcool, Tobacco and Firearms. A cervejaria protestou na época dizendo que não se tratava de pornografia, mas de uma obra de arte de um pintor do país. A resposta do órgão americano foi que Eva deveria então segurar uma maçã e não um copo de cerveja!


Hoegaarden Verboden Vrucht/ Le Fruit Défendu - Belgiam Dark Strong Ale, Ale, 8,5%ABV, garrafa 330ml.

Cor: Cobre escura, turva.
Espuma: Boa formação, média duração, cor bege, bolhas bem pequenas, boa consistência.
Aroma: Malte, adocicado, caramelo, toffee, frutado (passas), fenólico, picante, álcool, condimentado.
Paladar: Malte, doce, caramelo, toffee, frutado (passas), fenólico, picante, álcool, bom amargor final, com boa intensidade, bom corpo, boa textuta, carbonatação evidente, seca.

Ótima cerveja. O aroma infelizmente não é desprendido com muita facilidade. Melhora à medida que a bebida esquenta mas mesmo assim não é claro e limpo como já senti em outras cervejas. O sabor é bem perceptível e complexo desde o começo até o final do copo. O que mais marca é o fenólico picante, corroborado pela presença do álcool que esquenta na boca mas combina muito bem com a força da cerveja.

Belo conjunto!

14 Novembro 2009

Jenlain


A Duyck é a segunda maior cervejaria independente da França, sendo até hoje controlada pela mesma família. Eles são os maiores produtores de Bières de Garde, um tradicional estilo de cerveja nascido na França.

O primeiro membro da família a fabricar cervejas foi Léon Duyck, por volta dos anos de 1900/ 1910. Léon passou sua paixão pelas cervejas ao seu filho Félix. Em 1922, Félix abriu a sua farmhouse brewery (expressão em inglês que descreve uma pequena cervejaria no campo ou na fazenda) na localidade de Jenlain, no norte da França. No início as cervejas eram vendidas em barris de madeira, abastecendo as tarbenas locais. Depois da Segunda Guerra Mundial os hábitos mudaram e as pessoas começaram beber cerveja em casa. Em 1950, Félix teve a idéia de reutilizar garrafas de champanhe já vazias para envasar suas cervejas e permitir que as pessoas pudessem desfrutar de seus produtos em casa. O uso de garrafas de champanhe para envasar cervejas pelo que li começou neste momento e até hoje é muito utilizado por várias cervejarias no mundo todo, principalmente na Bélgica.

Em 1950, o filho de Félix, Robert Duick, assumiu o comando da cervejaria. Em 1968, a cerveja fabricada pela Duyck recebeu o nove do vilarejo onde ficava: Jenlain. Na década de 70, a cervejaria passou por um grande processo de modernização. Em 1990, Raymond Duick, bisneto de Léon, assumiu o comando da cervejaria. Ele introduziu várias novas cervejas ao portfólio da empresa. Em 2005, nasceu a Jenlain Blonde, irmã mais nova da já famosa Jenlain Ambrée.

O nome Biére de Garde, que em português significa cerveja de guarda, surgiu pela forma como eram fabricadas as cervejas em pequenas cervejarias no norte da França. A fabricação ocorria durante os meses frios e esta cervejas ficavam guardadas, maturando até os meses quentes do verão, quando as altas temperaturas e leveduras selvagens poderiam atrapalhar o processo de fabricação. Com a industrialização, as Biéres de Garde praticamente desapareceram. Pequenas cervejarias foram responsáveis por manter a tradição de fabricar este estilo de cerveja de alta fermentação, caráter forte e refermentadas na garrafa (muitas vezes de champanhe) e fechadas com rolha.

Apesar da tradição das garrafas de champanhe, as Jenlain que adquiri são apresentadas em garrafas longneck. Divido com vocês as minhas impressões das duas Biére de Garde da Brasserie Duyck.


Jenlain Ambrée - Bière de Garde, Ale, 7.5%ABV, garrafa 330ml.

Cor: Âmbar escura/ cobre, levemente turva.
Espuma: Média formação e média/baixa duração, cor bege clara, deixa marcas.
Aroma: Malte, adocicado, mel, caramelo, lúpulo.
Paladar: Malte, adocicado, caramelo, picante, álcool, leve amargor final, corpo médio.

Boa cerveja. Não é das mais complexas mas apresenta um aroma muito fino de malte e lúpulo. Na boca ela se mostra potente com a presença do álcool, a sensação picante e um corpo médio.


Jenlain Blonde - Biére de Garde, Ale, 7.5%ABV, garrafa 330ml.

Cor: Âmbar, levemente turva.
Espuma: Boa formação, média/baixa duração, cor branca, deixa marcas pelo copo.
Aroma: Malte, doce, mel, pão, lúpulo.
Paladar: Malte, doce destacado, picante, álcool, amargor final de boa duração, corpo médio.

Boa cerveja. Apesar de ser Ale, ela não é muito frutada e as sensações que ela proporciona são muito mais relacionadas com o malte e o lúpulo, do que com produtos da reação de fermentação, a não ser pela sensação picante. O álcool é bem presenta e se faz notar. Parece muito com a sua irmã mais famosa e tradicional com a diferença da sensação caramelada que percebi na Ambrée.
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