13 junho 2009

A cerveja do dia-a-dia


Lembro bem da época em que cerveja para mim era sinônimo de reunião com amigos, muita diversão regada a grandes quantidades da bebida e um bom tira gosto. As cervejas de escolha eram sempre as mesmas pois nunca tive muito o que escolher devido à pequena variedade ofertada. Mas na época eu não fazia idéia de que a oferta era tão pequena. O que existia de mais diferente era uma cerveja da garrafinha verde, a Heineken, que já agradava muito por ter um sabor diferente, um amargor mais presente, mas esta não era encontrada com muita facilidade e por isso não era uma alternativa frequente.

Há pouco tempo atrás descobri uma cerveja que já chamava a atenção pela bela apresentação em um copo grande e bonito, antes uma heresia para o bebedor de cerveja gelada em pequenas quantidades no copo para "não esquentar". O ritual de serviço da cerveja também era diferenciado, girando a garrafa ao servir o final do líquido. No início até pensei que aquele movimento era para ajudar a formar espuma, outra hereseia para o bebedor de cerveja comum. Esta era a Erdinger, a cerveja de trigo alemã mais consumida no Brasil (acho que continua sendo) e é claro que aqueles giros da garrafa não eram para aumentar a formação de espuma, mas para servir o fermento decantado no fundo da garrafa. O sabor dela também era diferente assim como a textura, mais grossa e encorpada. Fiquei maravilhado e curioso sobre ela e comecei a pesquisar sobre cerveja na Internet.

A parti daí o meu gosto por cerveja foi mudando, gradualmente. Comecei a procurar cervejas diferentes, sempre tentando provar algo novo. Lembro bem que teve cerveja derramada na pia. Talvez meu paladar ainda não estivesse preparado para algo tão forte e diferente. Mas estas cervejas extremas do início não me fizeram perder o interessse. Muitas outras foram sendo degustadas. Aquela que inicialmente me deixou maravilhado já não parecia ser a mesma. Na realidade ela era a mesma. Quem havia mudado era eu. A experiância mudou a forma como eu encarava cada cerveja. Hoje até mesmo aquela que foi derramada não assusta, pelo contrário.

Passei a degustar as cervejas e não mais simplesmente bebê-las. Sempre fui leitor de outros blogs cervejeiros, continuo acompanhando todos até hoje, pois sempre foram minha principal fonte de pesquisa e aprendizado, junto com sites especializados, rankings cervejeiros e minhas experiências pessoais com as cervejas é claro. O estudo foi o responsável por esta mudança. Não fazia mais sentido comprar uma cerveja mais cara por ter mais sabor e tomá-la em grandes quantidades, pois no final não sentiria mais nada mesmo. Também não fazia mais sentido não analisar cada cerveja. A degustação sensorial, usando os cinco sentidos, nos faz perceber melhor a bebida e aproveitá-la ao máximo.

Passei a não tomar mais aquelas cervejas "comuns" com a mesma frequência, mas não deixei de consumí-las. Existem ocasiões onde não é possível ter acesso à outras cervejas. Algumas vezes o local (que pode ser o bar, o restaurante ou mesmo uma festa) não tem nada diferente, os amigos só bebem delas mesmo ou o dinheiro pode "estar curto" naquele dia. Não vou ser chato ao ponto de recusar uma cerveja entre amigos, mesmo que aquela não seja a cerveja que eu queria naquele momento.

A cerveja do dia-a-dia, ou "session beer" como dizem em inglês, deve ser aquela com baixo teor alcoólico, podendo ser consumida em maiores quantidades sem problemas, e com relativo baixo custo. Realmente não estaria sendo sincero se dissesse que tenho a mesma sensação que tinha ao beber aquelas cervejas de antigamente, pois descobri que a cerveja pode ser muito mais saborosa. Mas existem algumas alternativas de custo relativamente baixo e com muito mais benefícios. A Heineken ainda é minha alternativa preferida para jantar naquele restaurante que não tem tanta variedade. Também existem algumas artesanais brasileiras com preços mais enxutos, principalmente se você mora em estados do Sul ou Sudeste do Brasil. Nestes estados existem microcervejarias locais com ótimas cervejas e a facilidade de distribuição ajuda a ter um preço melhor.

Você se identifica com essa história? Já tomou uma cerveja que mudou sua percepção? Tem uma cerveja alternativa para o dia-a-dia? Deixe seus comentários.

24 comentários:

Ronaldo Camacho disse...

Também me iniciei nos caminhos de Marduk através de uma Erdinger. Foi tomada direto na garrafa, sem o ritual. Foi o suficiente para que eu recebesse a iluminação. De lá pra cá são alguns anos de pesquisas nesse universo quase infinito da cerveja. Claro que às vezes não dá pra escapar da pilsen de cada dia, mas sempre que a oportunidade se apresenta procuro evangelizar. E principalmente aprender.

Parabéns pelo blog.

Claudinei disse...

Grande Rodrigo!
 
Eu me identifico muito com essa história, já cheguei a jogar cerveja na pia, mas não por ter recusado seu sabor, e sim porque já estava quase tombando de bêbado hehehehe....
 
As cervejas que compro hoje pra beber em maiores quantidades são a Heineken e, um pouco abaixo dela, a Kaiser Gold e a Brahma Extra. As insípidas pseudo-pilsens que aparecem na TV tentando fazer lavagem cerebral no telespectador não entram mais na minha casa, só admito bebê-las em companhia de amigos em um bar, por exemplo, onde o objetivo é apenas encher a cara e jogar conversa fora.
 
Mas eu também aprendi a valorizar a qualidade e a CULTURA em detrimento da quantidade e, por isso, sempre aprecio uma cerveja superior, seja ela uma nacional artesanal ou uma importada.
 
Quando vc sai da "caverna socrática" (ou "platônica", como queiram), fica muito difícil retornar a ela...
 
Abraço!
 

Catador disse...

Concuerdo plenamente. Para mí, cuando no hay mucho dinero, ésa cerveza es la Cristal Black Lager. Cristal es una de las peores cervezas de Chile, su Red Ale y la versión normal me son casi intomables. Pero su Black Lager es mucho más pasable.

Ahora, si voy a un bar, pido cualquier cerveza de microcervecería, generalmente voy a bares especializados en éste tipo de cerveza, y los precios en esos bares son muy buenos, bastante baratos. Kross, Tübinger, O´Doolan, son buenas marcas para tomar de barril, son mis cervezas del día a día en los bares.

Saludos!

Rafael David disse...

Minhas primeiras experiências foram com as Eisenbahns, depois delas comecei a procurar novas cervejas, novos sabores e afins, mas continuo tomando as industriais brasileiras nos bares com os amigos, mas tento sempre leva-los a bares onde tenha outras opções, se não tiver, a heineken sempre é uma boa pedida.

Abraço.

rovedo disse...

EU tambem iniciei nas cervejas especiais com a Erdinger... É verdade, nada como provar cervejas diferentes (Nacionais ou Importadas.. quando dá) e aos poucos identificar os aromas e sabores novos..
Parabéns pelo blog e abraço...
Leonardo..

Rodrigo Campos disse...

Ronaldo,

Realmente a Erdinger é uma grande porta de entrada para o mundo das cervejas especiais pois ela é fácil de encontrar. Obrigado pelo elogio.

Claudinei,

Acredito que esta seja a história de pelo menos 90% do pessoal que acompanha o universo das cervejas especiais no Brasil, por isso quis compratilhar e ver qual a reação dos leitores. A Heineken também é minha escolhida como alternativa, Kaiser Gold ás vezes. Um dia desses eu provei uma Brahma Extra e logo em seguida a Stela Artois. A Brahma Extra ficou sem graça perto da Estela na minha opinião. Aqui em Fortaleza não é fácil encontrar variedade.

Catador,

Sei que no Chile existem muitas cervejas artesanais. Já provei algumas até. As SZOT infelizmente não anotei as impressões por isso não postei. Acredito que as artesanais sejam a melhor alternativa. Aqui em minha cidade infelizmente não encontro muitas, nem mesmo as brasileiras, pois são de cidades longe daqui. País grande esse meu!

Rafael,

Felizmente você pôde ser iniciado com Eisenbahns, que tem algumas das melhores artesanais brasileiras. Assim é difícil não abrir os olhos para outros horizontes.

Rovedo,

Mais um iniciado por Erdinger. Hoje não me encanto mais com ela, mas tenho muito respeito pela capacidade que ela tem de nos mostrar outros caminhos. Obrigado pelos elogios ao blog.

Um abraço a todos e obrigado por compartilharem suas histórias e opiniões.

Anônimo disse...

A Erdinger esta para as cervejas assim como o famoso vinho alemão da garrafa azul está para os vinhos. É a porta de entrada para um novo mundo, porém é "somente" isto, pois depois descobrimos que existem melhores opções.

Parabéns pelo blog.

Abs.

Ricardo Bertolini

Claudinei disse...

Acho que devemos fazer justiça com a Erdinger Pikantus. Saboreada na temperatura correta, é uma bela cerveja, de corpo e complexidade bem maiores que suas irmãs de menor teor alcóolico (Weiss e Dunkel). Pelo menos na minha opinião...

Rodrigo Campos disse...

Ricardo,

Realmento concordo com você. A comparação é bem válida. Só espero que a continuação da história com as cervejas seja a mesma dos vinhos: a grande oferta de bons produtos de qualidade. Hoje é possível comprar vinhos do mundo inteiro em supermercados por todos os cantos do Brasil. E não posso deixar de falar sobre as microcervejarias: espero que apareçam novas cervejas artesanais brasileiras para ocupar este espaço crescente de mercado.

Claudinei,

A opinião exposta foi somente sobre a Erdinger tradicional (a clara). Durante um bom tempo eu gostava da Dunkel pelo seu gosto de café, só achava pouco encorpada. A Pikantus também é boa, mas na minha opinião falta preço para competir com a Eisenbahn Dunkel e a Aventinus. Estas são melhores e ainda têm preços mais baixos. A Aventinus aqui em Fortaleza sai por 5 a 7 reais no supermercado Bompreço. Já comprei até por 2 reais perto da validade. Assim é covardia!

Um abraço a todos.

Anônimo disse...

Por volta de 12 anos já achava as cervejas industrializadas péssimas, muita propaganda e sabor zero.
Cervejas como Einseban e Franziskaner começaram a despertar a procura de novos sabores de qualidade, que até agora foram 40 cervejas estrangeiras.
Prefiro tomar aguá com gás que cerveja industrializada nacional para me refrescar.
Depois que se entra nesse novo mundo, a caça de novas cervejas é grande !

Wagner.

HellBeer disse...

Fui apresentado ao mundo das cervejas numa viagem a Campos do Jordão com minha namorada, na ocasião eu pagava 3,50 numa bohemia (a referência de boa cerveja na época) aqui em São Paulo e a Baden Baden custava 13,80. Fiquei com medo de gastar tudo isso numa breja mas resolvi arriscar. O primeiro gole foi terrível, um gosto muito forte para meu paladar, se tivesse uma pia por perto talvez tivesse jogado fora, mas então pensei: "Não é possível que os caras vão cobrar 13,8 numa breja horrível. Alguma coisa de especial ela deve ter para custar tanto!!!". Esse pensamente me fez beber toda a garrafa, que me deu uma boa esquentada por sinal.

Voltando pra São Paulo resolvi comprar outra pra beber em casa com mais calma e o resto da história vocês já devem conhecer!

Eu tenho dois tipos de breja do dia a dia, uma pra beber em casa (Stela Artois, que é o melhor custo benefício na minha opinião) e outra pra beber com amigos, que por mim seria a mais barata do bar, mas os caras gostam (ou pensam que gostam) da breja do pagodeiro, não tem jeito!!!

Parabéns pelo Blog.

Abraço

HellBeer disse...

Só para exclarecer, a precursora foi a Baden Baden Red Ale!

Até hoje continua sendo uma das que mais aprecio aqui no Brasil!

Jean disse...

Prezado Rodrigo,

Excelente postagem!! Creio que todos nós nos vimos dentro do teu pertinente relato de iniciação e descoberta do mundo da cerveja.

"A Heineken tem gosto de chá de bolbo", era o que eu dizia, mas os tempos mudaram!!

Também me iniciei pelas Erdinger Weiss e Dunkel, ganhei aquele kit de copo mais as duas cervejas. Depois conheci as Eisenbahn... depois não parou mais...

Não tenho preferencia para a cerveja do dia-a-dia... sempre tenho de tudo um pouco, respeitando os preços é claro!! Eisenbahns, Erdingers, Guinness, Schneiders, Lichers, Baden Badens... todas são para o dia-a-dia! Bebo somente quando estou com vontade, uma, às vezes, duas...

Das "comuns", me atrevo a comprar a Bavária Premium. Também gosto da Kaiser Gold, apesar de não comprá-la (a Bavária é mais barata). Quando é uma festa, acabo comprando as mais conhecidas (Skol, Brahma, Skin) ou a mais barata, visto que a diferença entre elas é mínima.

Porém não tenho nenhum preconceito apesar das preferências, bebo todas, sendo "comuns" ou não.

Um abraço,

Jean Claudi.

Catador disse...

Está lista la invitación a la Ronda nº 13

Amigo Rodrigo, queda cordialmente invitado.

Rodrigo Campos disse...

HellBeer,

A Baden Baden Red Ale é uma mudança muito radical para quem está começando. Ela também é uma das brazucas de minha preferência.

Wagner,

Tem muita cerveja boa por aí, mas 12 anos não não é muito novo não? Você começou foi cedo!

Jean,

Acredito que esta seja a história de quase todos nós que já iniciamos neste maravilhoso mundo da boa cerveja. Espero que outros possam também fazer esta descoberta! Mais uma vez obrigado pelo elogio.

Um abraço a todos.

Anônimo disse...

Rodrigo voce entendeu totalmente errado, fazem 12 anos que eu acho as cervejas industrializadas um lixo !!!
E eu não comecei cedo !!!


Wagner

stemamo disse...

Claro que sim Rodrigo e, a apenas pouco mais de um ano e meio ou mais. Havia tomado algumas cervas diferentes mas sem entender muito bem o que estava acontecendo. Depois de ser aprsentado a algumas importadas e outras nacionais, como a Colorado, realmente, não teve outro jeito, a não ser, ficar fissurado em provar novas cervas. São tantos sabores que não dá pra parar. Foi por isso que também montamos o nosso blog, com o nome que queremos dar a nossa cerveja artesanal. AInda tenho muito pra parender, claro. Mas, experimento quase tudo que é possíverl, fazemos degustações e testes, e pesquisamos na net e onde é possível, bares especializados, fabricantes casieros, enfim, o vasto mundo cervejeiro e muito bom. No dia-a-dia, a Heineken é a minha preferida. O barrilete é ótimo. No inverno, como agora, a Kaiser bock é uma boa opção para o dia-a-dia.

Quand puder, faça-nos uma visita!

http://www.habeascorpvs.blogspot.com/

Abs!

stemamo disse...

Rodrigo, essa foto sua é aqui no Café Vienna, em BH né? Fui lá hoje, rs, gosto muito de lá, vou sempre! Boas cervas nas indicações do Welerson! abs!

Rodrigo Campos disse...

Wagner,

Realmente entendi errado, desculpe por isso. Agora está tudo em ordem. Desejo muitas outras cervejas boas para você.

Stemamo,

Já dei uma olhada rápida pelo seu blog. Depois retorno para ler melhor. Temos opinião parecida em relação á Heineken. Quanto à Kaiser Bock, sinceramente nunca a provei antes pois ela não chega aqui em Fortaleza. Como estive em São Paulo semana passada consegui trazer algumas para degustar aqui.
Você está certo em relação à foto do meu perfil. É no Café Vienna em BH. Fui em companhia do Rodrigo Lemos quando estive em BH em abril. Tem uma carta maravilhosa de cervejas a comida é muito boa (adoro comida alemã e austríaca) e os donos são muito simpáticos. Sinto falta de um local assim em minha cidade. Adorei BH, a cidade é muito boa para quem gosta de cerveja e o povo é espetacular.

Um abraço.

Jean disse...

Prezado Rodrigo,

Bateu a sessão nostalgia e fiz uma postagem no Pão e Cerveja a respeito da Erdinger Dunkel. Convido-o a passa por lá e dar uma lidinha, visto que referencia a tua excelente postagem sobre a cerveja do dia-a-dia.

Um abraço,

Jean Claudi.

Rodrigo Campos disse...

Olá Jean,

Já li desde ontem mesmo. Meu início foi parecido com o seu: Erdinger Weissbier e Dunkel. No princípio adorava a Dunkel e seus sabores torados e de café. Hoje ela já não tem o mesmo impacto sobre mim, mas são ótimas para quem quer começar.

Obrigado pela visita.

Abraço.

Schuch disse...

Pode crer!

Eu passei pela mesma transformação no paladar/olfativa como o passar do tempo, e análise de algumas cervejas, é um processo fantastico.

Elas realmente tem o poder de mudar a percepção do mundo. Da mesma maneira que obras mais culturais como filmes, livros ou viagens mudam outros aspectos da nossa perspectiva.

Acho que as primeiras cervejas especiais que eu tomei foram uma Dunkel e Uma Strong Golden Ale da Eisenbahn, ambas muito boas... mas para a cerveja do dia-a-dia a Polar, aqui no RS, é a melhor opção na minha opinião. com gosto mais marcante e mais barata que a Heineken.

Acho que com o passar do tempo a cultura cervejeira terá mais espaço dentro do senário brasileiro. Ai sim teremos melhor oferta e preços e quem sabe a qualidade das grandes fabricas de cervejas nacionais(não acho que mereçam ser chamadas de cervejarias por enquanto)melhorem o seu produto, se bem que isso é pouco provável.

abraço aos amigos cervejeiros

Jefferson Chicone disse...

Vish acabo de ler o meu relato. Praticamente foi da mesma forma que fui iniciado com uma Erdinger escura. Hoje já não lembro qual delas.
A visão do ritual ao servir foi a extraordinária ou melhor o que mais chamou atença foi o copo tudo muito diferente do que já visto com cerveja. Apesar de ter ido um pouco antes para a OktoberFesta(SC) e ter experimentado o chopp de trigo, mas na época não gostei muito. Depois disso que venha todas a diferentes que existir.
Ate hoje não parei os experimento. Sempre a procura de novos sabores e copos.

Rodrigo Campos disse...

Jefferson,

Essa é a história de muita gente que entrou no mundo das cervejas "especiais". A Erdinger é fácil de encontrar e tem uma aceitação de mercado muito boa por ser leve mas é diferente o suficiente para despertar a curiosidade por outras cervejas. Hoje eu não bebo mais Erdinger por achar ela leve demais e mesmo as de trigo já não me encantam tanto.

Abraço.

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