10 março 2011

Turismo cervejeiro em Nova Iorque II - Whole Foods Market



Para qualquer apreciador de boas cervejas, visitar os Estados Unidos é uma verdadeira farra. Há momentos em que parecemos uma criança na Disneylândia. A variedade de cervejas disponíveis já é impressionante se contarmos somente com as opções de micro cervejarias americanas, mas fica sensacional quando consideramos também a grande variedade de cervejas importadas (Alemanha, Bélgica, Inglaterra, Escócia, Itália, Japão, França, entre outros países).

Em Nova Iorque existe uma grande disponibilidade de locais para provar estas cervejas. Pubs e Restaurantes frequentemente se preocupam em ter uma carta especializada e a grande oferta de cervejas de micro cervejarias americanas facilita bem isso. Em praticamente toda Manhattan é possível encontrar um local com uma boa carta de cerveja, que não raramente chega a mais de 100 opções. Algo ainda bem incomum aqui no Brasil mas já bem presente por lá e ter uma grande disponibilidade de cervejas servidas "on tap", como o nosso chope, até mesmo importadas. Não é raro encontrar mais de 20 ou 30 opções de cervejas "on tap" no mesmo local.

A quantidade de locais é tão boa que é possível montar até um roteiro para aproveitar as visitas aos locais turisticos mais famosos da cidade e dar uma passada em algum pub ou restaurante mais próximo na hora do almoço ou no deslocamento de um local para outro por exemplo. Eu fiz isso e dá bem certo. Afinal de contas, não dá para fazer uma viagem dessas e esquecer de conhecer a cidade, fazer turismo mesmo, assim como também não dá para passar o dia todo bebendo e não conseguir aproveitar a cidade.

Outra forma de comprar cerveja por lá são as inúmeras Delis (forma como eles chamam suas delicatessens) espalhadas por toda a cidade, apesar de que a grande maioria delas não tem uma grande variedade de cervejas. Em mercados (os supermercados são pouco comuns em Nova Iorque devido à falta de espaço na cidade) é possível encontrar uma boa variedade. As lojas especializadas não são tão comuns mas existem e são uma opção a mais para conseguir as cervejas mais raras.

Neste post minha intenção é de mostrar o que vi no mercado que provavelmente tem a melhor variedade de cevejas de Nova Iorque, o Whole Foods Market. Esta é uma rede de mercados gourmet dos Estados Unidos que possui várias lojas por todo o país. Em Nova Iorque existem cinco lojas espalhadas pro diferentes locai de Manhattan. Em uma das lojas da cidade há uma seção separada somente para as cervejas, a Beer Room como eles chamam. Nessa loja a variedade de cervejas é maior que nas outras. A loja é a Whole Foods Bowery que fica localizada na 95 East Houston Street, na interseção entre o East Village e o Lower East Side, zonas que estão bem na moda na cidade, com muitos bares e restaurantes. Bem perto de lá ficam alguns dos bares cervejeiros mais famosos da cidade como o DBA, Blind Tiger Ale House, Peculier Pub, East Village Tavern e o Hop Devil Grill & Belgian Room. Também bem perto de lá fica a loja que provavelmente tem a maior variedade de cervejas da cidade, o New Beer Distributor, que será assunto de outro post. No entanto não recomendo visitar os dois locais no mesmo dia, já que seria impossível carregar todas as cervejas de uma só vez!

A loja vende até mesmo insumos e equipamentos para homebrewing, como maltes, extrato de malte, kits prontos de homebrewing, levedura, panelas, termômetros, fermentadores, chillers, livros, entre outros. Uma das atrações por lá também é a possibilidade de encher seu growler, os garrafões de 1 ou 2 litros, com tampa flip-top. Você leva seu growler, enche com uma das 12 opções diferentes de cerveja "on-tap" e paga um preço bem mais em conta do que se comprasse uma garrafa de long neck. Infelizmente esta opção de compra fica mais para os americanos mesmo, já que a nossa intenção é de conseguir provar uma grande variedade e não muito da mesma cerveja.

Outra grande atração no Whole Foods Market é a comida mesmo. Você pode comprar de tudo por lá e com certeza há muitos produtos de qualidade. Se você quiser fazer uma refeição lá mesmo, encontrará uma grande variedade de pratos feitos e vendidos por peso. Todas as seções possuem uma grande variedade de bons produtos. A que mais gostei foi a de queijos. Nunca tinha vsito tanto queijo diferente em um mesmo local. Tinha até o queijo Chimay a la Biére por lá, e logicamente não perdi a oportunidade de comprar o meu. Veja abaixo algumas fotos que tirei no local.

Cervejas nas geladeiras abertas. Mistura de cervejas do mundo todo.

Algumas das cervejas importadas (Bélgica, Holanda e Dinamarca).

Prateleiras com cervejas em sua maioria americanas.






Equipamentos e insumos para homebrewers.

Uma pequena amostra da seção de queijos. Isso aí é só um terço do que tinha disponível.

Olha aí o queijo Chimay a la biére.

02 março 2011

Documentário "How Beer Saved The World" (Como a cerveja salvou o mundo) do Discovery Channel.




Quando bebemos nossa cerveja dificilmente imaginamos a importância dela em nossa sociedade. Na atual era do politicamente correto, onde a bebida alcoólica é tida como responsável por todos os problemas do mundo (apesar de achar pessoalmente que os excessos realmente podem ser destrutivos, mas não somente para o álcool), poucos conseguem imaginar o quanto que a cerveja contribuiu para o crescimento da sociedade e da humanidade. Acho que foi pensando em mostrar a importância da cerveja em diversas áreas do conhecimento que o Discovery Channel resolveu produzir este documentário, que foi exibido nos Estados Unidos. Seria ótimo se ele fosse transmitido aqui no Brasil também.

Você sabe o que realmente foi responsável ou estimulou o fim das sociedades nômades, a invenção da agricultura, da roda, da matemática, da escrita, a construção de cidades, das pirâmides do Egito também? O que foi responsável pela manutenção da saúde em tempos onde a água era contaminada? O que ajudou no desenvolvimento da economia, do comércio, do capitalismo moderno? O que esteve ao lado da ciência em vários momentos, como no descobrimento das bactérias, no desenvolvimento da pasteurização, na estabelecimento de princípios básicos da medicina moderna? O que foi responsável pelo desenvolvimento da refrigeração artificial? Todas estas perguntas têm uma resposta em comum: a cerveja. Tudo isso e muito mais. Veja o vídeo para entender tudo e ser surpreendido com todas as evidências científicas. Impressionante e divertido ao mesmo tempo.


21 fevereiro 2011

As 50 melhores cervejas de 2010 da revista Prazeres da Mesa



A revista Prazeres da Mesa é umas das publicações brasileiras mais respeitadas na área de gastronomia. Felizmente para nós adoradores de boas cervejas, a revista também reconhece a importância da nossa amada bebida no universo gastronômico. Existe uma coluna fixa na revista, a Mundo de Espuma, comandada pelos especialistas Eduardo Passarelli e André Clemente, sempre abordando assuntos pertinentes ao universo das cervejas especiais. 

Todo ano na publicação de fevereiro, também aparece a lista das 50 melhores cervejas disponíveis no mercado brasileiro. Pelo segundo ano consecutivo eu participo com muito prazer do corpo de jurados convidados para contribuir cada um com a sua própria lista das 50 melhores. Os jurados que participaram da lista este ano foram Ailin Aleixo (Blog Gastrolândia), Jardel Sebba (revista Playboy), Ricardo Amorim (blog CervejaSó), Roberto Fonseca (O Estado de S. Paulo), Miguel Icassatti (Veja São Paulo), Marcelo Cury (médico e sommellier de cervejas), Maurício Beltramelli (site Brejas), Sady Homrich (baterista da banda Nenhum de Nós e apreciador de cerveja), Marcelo Moss (fundador da cervejaria Baden Baden), André Clemente, César Adames, Edu Passarelli e Ricardo Castilho, da equipe da revista Prazeres da Mesa.


Confesso que escolher 50 cervejas entre todas disponíveis no mercado brasileiro não é uma tarefa fácil. Se analisar a lista 50 vezes você inevitavelmente vai mudar algo nela 50 vezes. Nosso mercado, apesar de ser ainda pequeno para o potencial de um país de proporção continental, já possui uma boa quantidade de cervejas de alta qualidade, tanto as importadas como as produções nacionais. Tentei fazer minha lista conter as melhores cervejas que provei no ano, abordando diferentes estilos, mas tentando encaixar em algum ponto da lista algumas cervejas que merecem ser lembradas, principalmente por terem um alto custo benefício e/ou um grande potencial de aumentar o time dos amantes de boas cervejas.

A cerveja que ficou com o primeiro lugar da lista este ano foi a Brooklyn Lager. Uma cerveja realmente deliciosa (que estava presente também na minha lista individual) e que chegou ao país pela primeira já ganhando notoriedade com este prêmio. Na lista estão presentes muitas cervejas brasileiras. As que mais apareceram na lista foram Bamberg (6 cervejas), Colorado (2 cervejas), Falke Bier (2 cervejas) e Eisenbahn (2 cervejas). Inclusive a própria Bamberg foi escolhida a cervejaria brasileira do ano pelos jurados. 

A revista foi lançada semana passada em São Paulo e já deve chegar a todos os pontos de venda do país esta semana. Recomendo a todos a leitura. 

14 fevereiro 2011

Goose Island Bourbon County Brand Stout 2008


A cervejaria Goose Island começou suas atividades em 1988 na cidade de Chicago como um brewpub. Na época a oferta de cervejas era bem limitada no mercado americano, onde praticamente só era possível encontrar as conhecidas cervejas de massa. John Hall havia provado várias cervejas diferentes e produzidas localmente em cada ponto que ele visitara pela Europa. Ele sentia falta deste tipo de produto no meio oeste americano e acreditava que poderia começar a trabalhar com isso. A idéia de um brewpub surgiu como uma forma de proporcionar ao consumidor a possibilidade de provar uma grande variedade de cervejas diferentes além de acompanhar o processo de fabricação. O idéia deu muito certo e em 1995 John e seu filho Greg, que já era o mestre cervejeiro da Goose Island, tiveram que abrir uma nova planta com a cervejaria e a primeira área de envasamento separados do brewpub para conseguir dar conta da demanda pelas suas cervejas. Em 1999, o segundo brewpub foi aberto também em Chicago.


Greg Hall, filho do fundador e presidente da Goose Island, John Hall, trabalha na cervejaria desde o início, onde ele começou como assistente cervejeiro. Ele se dedicou por alguns anos aos estudos e experiências em viagens para conhecer as técnicas cervejeiras do velho mundo e em outras cervejarias americanas. Em 1995 ele começou a trabalhar como o mestre cervejeiro na Goose Island.

A Goose Island hoje é uma das maiores micro cevejarias americanas e produz uma ótima seleção de cervejas. Em 1992, para comemorar a miléssima batelada (como chamamos uma produção de cerveja, tentativa de tradução do termo batch em inglês) do primeiro pub, o Clybourn, eles resolveram fazer uma cerveja especial. O resultado dessa idéia é a cerveja título deste post, a Bourbon County Brand Stout. Ela é uma Imperial Stout maturada por aproximadamente 100 dias em barris de carvalho já usados na fabricação do bourbon Jim Bean, o uisque americano feito a partir de milho. Como resultado desse processo, a cerveja final apresenta aromas e sabores vindos tanto da cerveja original como também do barril e de bourbon. No vídeo abaixo vocês podem ver o próprio Greg Hall falando sobre a cerveja.


Hoje a Bourbon County Stout continua a ser produzida e já teve até mesmo outras versões com adição de café (ainda produzida) e baunilha (não mais produzida) durante a maturação e uma versão onde a ceveja maturou durante dois anos no barril (não mais produzida). Todas as garrafas são safradas e são até que relativamente fáceis de encontrar em lojas nos EUA a preços razoáveis, principalmente se consideramos a qualidade dela. Infelizmente nenhuma importadora traz esta cerveja para o Brasil. O rótulo da cerveja foi modificado a partir de 2009. Esta que tive a oportunidade de provar era de 2008, ainda com o rótulo antigo que contém uma bela descrição da cerveja. Se puder resumir a descrição toda em uma só frase eu escolheria esta: "somente um gole contém mais sabor que uma caixa da sua cerveja regular!"


Goose Island Bourbon Brand Stout 2008- Imperial Stout (maturada em barril), Ale, 13% ABV, garrafa 355ml, US$ 5,85.

Cor: Preta, opaca.
Espuma: Baixíssima formação, se desfaz completamente em alguns segundos.
Aroma: Malte, doce, bourbon (uisque), chocolate, madeira, baunilha, álcool.
Paladar: Malte, doce, bourbon (uisque), chocolate, baunilha, defumado, torrefação, álcool evidente, amargor de média/baixa intensidade, final doce e alcoólico, baixíssima carbonatação, textura sedosa e macia, densa, bom corpo.

Ótima cerveja. Muito complexa e intensa. O aroma é delicioso, complexo e equilibrado. Muito aroma de uísque, neste caso o bourbon, madeira, baunilha e chocolate. No paladar as sensações se repetem, mas arrematadas por uma boa dose de álcool, que aparecia mais tímido no aroma. O corpo é denso, deixando os lábios levemente gudentos devido ao açúcar residual, e a textura é bem sedosa, com a provável ajuda da baixa carbonatação. Esta é uma das melhores cerveja que já bebi. Uma porrada de sabor. Neste tipo de cerveja com maturação em barris, os americanos estão se mostrando insuperáveis pelas experiências que tive até hoje. Ainda bem que, já sabedor da sua qualidade, tratei de trazer duas garrafas. A outra continua a repousar em minha adega.


Decidi aproveitar meu último pedacinho de queijo blue Stilton que também comprei em Nova Iorque para fazer uma harmonização com a Bourbon County Brand Stout. O queijo Stilton é outra maravilha rara aqui no Brasil e que faz falta. Este é um queijo azul, assim como o Gorgonzola e o Roquefort, de paladar intenso, salgado e picante. A intensidade do queijo combinou muito bem com a ceveja. Segundo um dos maiores especilaistas em harmonização de queijo com cervejas, Garret Oliver (mestre cervejeiro da Brooklyn brewery), em seu livro The Brewmaster`s Table, a melhor harmonização do mundo da cerveja com queijos se dá entre uma boa Barley Wine envelhecida com um queijo Stilton. Agora eu preciso conseguir mais um pouco de Stilton para comprovar o fato!

08 fevereiro 2011

De Ranke Saison de Dottignies


A história da cervejaria De Ranke e suas principais cervejas já foi assunto recente no blog. Neste post vou falar de mais uma cerveja dessa cervejaria belga, a Saison de Dottignies. Ela é feita com o que os americanos chamam de "wet hops", ou seja, com lúpulo recém colhido e em seu melhor estado. A cerveja foi fabricada nos primeiros dias do mês de setembro de 2009 e o lúpulo foi colhido somente algumas horas antes de ser utilizado. Quem já provou algumas das cervejas da De Ranke já deve saber como elas possuem um toque bem lupulado, com um amargor pouco visto na maioria das cervejas belgas, mas ainda de forma equilibrada, principalmente se comparado às bombas de lúpulo comuns entre as cervejas americanas. Segundo o site da importadora brasileira que trabalha com os rótulos da De Ranke, esta cerveja foi lançada no mercado pela primeira e última vez em 2010 em comemoração aos 15 anos da cervejaria. Felizmente ela chegou no Brasil (não pelo preço que eu gostaria), mas infelizmente será uma pena não ter mais acesso a ela. Não existe nenhuma informação sobre ela no site da De Ranke e por isso não consegui confirmar o fato.

Outro fato interessante sobre a Saison de Dottignies é que esta é a primeira representante deste estilo no Brasil. A Saison (estação em francês), também conhecida como Farmhouse Ale, é uma cerveja que tradicionalmente era fabricada durante inverno para ser consumida pelos trabalhadores durante a colheita do verão. Esta cerveja surgiu na Valônia, a metade sul da Bélgica onde se fala francês. Como na época a refrigeração não havia sido inventada, eles precisavam fabricar cervejas durante os meses de frio para evitar a contaminação da bebida no intenso calor do verão, que favorece o crescimento de microorganismos indesejados na produção. Hoje elas podem ser fabricadas o ano inteiro sem problemas.


Este é um tipo de cerveja que tem um apelo muito forte para os meses mais quentes do ano pelo seu caráter refrescante. Geralmente são pale ales belgas com um toque frutado e condimentado bem presentes, uma leve acidez, alta carbonatação, um corpo leve, secas e com teor alcoólico de moderado a baixo. Não tive oportunidade de provar muitas diferentes até hoje, mas das que provei, pude perceber que podem se assemelhar muito a outros estilos belgas tradicionais, como o Strong Golden Ale e Tripel, e até mesmo com o novíssimo estilo Belgian IPA. A Saison daria muito certo no Brasil primeiramente porque é uma delícia, mas também porque combina muito com o nosso clima. Os americanos estão adorando e dando uma nova vida a este estilo, sendo pela importação das poucas marcas que ainda fabricam o estilo na Bélgica (Saison Dupont e Fantôme são as principais), como também fazendo as suas próprias. Provei duas Saisons americanas. Uma delas já foi publicada no blog, a Brooklyn Sorachi Ace e a outra deve ser assunto de um novo post, a Ommegang Hennepin.


De Ranke Saison de Dottignies - Saison, Ale, 5.5% ABV, garrafa 750ml.

Cor: Dourada intensa/ âmbar clara, levíssima turbidez.
Espuma: Alta formação, boa duração, cor branca, boa consistência, deixa muitas marcas no copo.
Aroma: Malte, pão, mel, frutado intenso (limão, damascos), citrico, lúpulo (herbáceo, condimentado, picante), semetes de coentro (?), condimentado.
Paladar: Malte, mel, lúpulo (herbáceo, condimentado), frutado (limão), cítrico, bom amargor final, de média/alta intensidade e duração, alta carbonatação, refrescante, corpo médio/baixo, bem seca.

Deliciosa. Refrescante e complexa ao mesmo tempo. Esta é a primeira Saison que provei e esperava um toque de leve acidez nela. Não sei se a intensa lupulagem comum nas cervejas da De Ranke, pode ter ajudado a mascarar alguma acidez que poderia estar presente na cerveja. Mesmo assim ela agradou muito e me fez ter uma grande curiosidade para provar outras cervejas do estilo.


25 janeiro 2011

Harmonização de queijo com cerveja Eisenbahn - Aula gratuita com Juliano Mendes



Recebi um e-mail bem interessante na última semana anunciando o II #provetuite da Eisenbahn. Vejam a mensagem abaixo:

"A Eisenbahn gostaria de te convidar a participar do segundo #provetuite, que será dia 26/01, às 20h, e terá harmonização com a Strong Golden Ale e queijo Gouda.

O #provetuite é um projeto da Eisenbahn, onde seu fundador e agora consultor de cervejas, Juliano Mendes, harmoniza uma cerveja da Eisenbahn ao vivo, via Twitcam. Você poderá fazer comentários, tirar dúvidas ou simplesmente assistir.

Caso não tenha ou não saiba onde adquirir suas Strong Gold Ale, o e-commerce de Eisenbahn já teve seu estoque devidamente abastecido para o evento. https://eisenbahn.com.br/loja/descloja.php.

O piloto do projeto pode ser visto nesse link http://twitcam.livestream.com/345s0.

O twitter de Eisenbahn é www.twitter.com/_eisenbahn_ e o do Juliano Mendes www.twitter.com/julianomendes ".

Recomendo demais que vejam o vídeo do I #provetuite no link http://twitcam.livestream.com/345s0. No vídeo tem uma aula de harmonização de Eisenbahn Kölsh com queijo brie. Eu já vi e realmente a aula do Juliano Mendes é muito boa. Com certeza vou assistir a segunda aula e aprender um pouco mais sobre o assunto.
Também iniciamos o Twitter do blog, o twitter.com/paraqvocerveja. Agora além de poder assistir o #provetuite também vou compartilhar informações do blog nessa rede social que pegou mesmo no Brasil.

23 janeiro 2011

Turismo cervejeiro em Nova Iorque - Visita à Brooklyn Brewery


A Brooklyn Brewery já foi motivo de post em outras oportunidades no aqui blog com as suas primeiras cervejas a chegar no Brasil (Lager, East IPA e Brown Ale) e com a espetacular Sorachi Ace. Desta vez vou descrever como foi a visita que fiz à cervejaria em outubro de 2010. Para quem está em Manhattan é bem fácil chegar no Brooklyn. Pegue qualquer linha do metrô em direção à 14th street, onde fica fica a linha L, e faça a baldeação. Na linha L vá em direção ao Brooklyn. Desça na estação Bedford Avenue, a primeira estação no Brooklyn. Da Bedford Avenue são somente 10 minutos de caminhada até a cervejaria.

As visitas na Brooklyn Brewery são guiadas e gratuitas, mas só acontecem aos sábados e domingos. Aos sábados tem visita guiada às 13, 14, 15, 16 e 17 horas, nos domingos às 13, 14 e 15 horas. Além dos sábados e domingos, a cervejaria também abre ao público nas sextas-feiras, mas somente para o happy hour das 18 às 23 horas, sem visitação.

Tanques logo na entrada da cervejaria.

Decidi fazer a visita no sábado. Quando cheguei na cervejaria, lá pelas 15 horas, o lugar estava lotado. Acho que tinha aproximadamente uma centena de pessoas aproveitando a tarde ensolarada de Nova Iorque para beber uma boa cerveja. Dava para perceber que era uma maioria de estudantes locais que sempre aproveitavam a estrutura montada pela cevejaria para receber pessoas aos finais de semana. Logo que cheguei já fui entrando com mais umas 30 pessoas para a visita guiada. Um funcionário da cervejaria guiava o grupo até o galpão onde ficam a cozinha e alguns tanques e lá mesmo ele fala de forma bem humorada sobre a história da cervejaria, um pouco sobre a fabricação de cervejas e mais algumas curiosidades.

Local utilizado pela cervejaria para a visita guiada.
Neste galpão ficam a cozinha e alguns tanques.

De onde estávamos era possível perceber que o algumas salas vizinhas ao galpão estavam em obras. Segundo o funcionário responsável pela visita, a Brooklyn estava passando por um proceso de expansão. A maioria das cervejas deles já não eram fabricadas ali. Toda a linha normal de cerveja era fabricada sob contrato em outra cervejaria localizada em outra cidade do estado de NY, a Matt Breweing Co, em Uthica. Ali no Brooklyn somente eram produzidas as cervejas especiais (garrafas de 750ml), da linha sazonal e da Brewmaster`s Reserve. Uma nova cervejaria estava em construção também fora da cidade, mas ainda no estado de NY e o espaço da cervejaria no Brooklyn seria aumentado em mais 1500 metros quadrados. Com a expansão, a capacidade de produção aumentaria de cerca de 10 mil para até 150 mil hectolitros anuais. Será que este aumento na produção vai ter alguma influência na chegada de mais cervejas da Brooklyn aqui no Brasil? Tomara que sim!

Tokens - fichas para trocar por cerveja a 4 dólates cada.


Balcão para compra de tokens e souvenirs.

Depois da visita guiada, estava pronto para beber algumas cervejas. Para beber lá você precisa comprar algumas fichas de madeira, que eles chamam de tokens, a 4 dólares cada uma. As cervejas mais comuns servidas "on tap", um chope de aproximadamente 400ml, valiam um token, enquanto as cervejas especiais "on tap" valiam dois tokens. Se você quisesse também poderia trocar três tokens por duas cervejas de 750 ml em garrafa. No dia havia disponível em 750ml as Local 1 e 2, além da Hopfen-Weisse. Já "on tap" era possível provar Pilsen, Light Ale, Weisse, Pumpkin Ale, Pennant Ale, East IPA, Detonation e Blast!, estas duas últimas da edição especial.

Cervejas disponíveis on tap.

Balcão com os taps, as torneiras de cerveja.

No grande salão onde as pessoas se reúnem, existem várias mesas aparentemente coletivas, no mesmo esquema de um biergarten alemão. Não tem nada para comer servido por eles, mas havia inúmeros folders de pizzarias próximas à cervejaria espalhados pelas mesas. Você pode pedir uma pizza para entregar no local.






Minhas cervejas escolhidas para beber no local foram, nesta ordem, Pennant Ale, Blast! e Detonation. Não anotei nada sobre a Pennant Ale 55`, pois na realidade ela foi consumida durante a visitação e por isso fiquei mais atento às explicações do que aos detalhes da cerveja. A Pennant Ale é uma Pale Ale bem fácil e extremamente refrescante. Foi uma ótima escolha para começar os trabalhos. Pennant significa flâmula e o nome da cerveja foi uma homenagem ao campeonato ganho pelo time de beisebol do Dodgers em 1955. Ela faz parte da linha normal da cervejaria e é disponibilizada o ano inteiro. Ela é bem fácil de encontrar pelas delis ou mercados de NY.

Amostras da Detonation (à esquerda) e da Blast! (à direita).

Brooklyn Blast! - American Double IPA, Ale, 9.2% ABV.

Cor: Âmbar, límpida.
Espuma: Cor marfim.
Aroma: Lúpulo (cítrico, floral, herbáceo, pinheiros, picante), frutado, cítrico, leve malte, caramelo, leve álcool.
Paladar: Malte, doce, caramelo, frutado, cítrico, lúpulo (cítrico, herbáceo), álcool, amargor final de grande intensidade e duração, bom corpo.

Cerveja bem amarga, assim como pede o estilo. A Blast! faz parte da série Brewmaster`s Reserve e nunca foi engarrafada. Ela fica disponível "on tap" na cervejaria somente em algumas oportunidades. Foi feita pela primeira vez há oito anos e sua receita tem uma mistura de 4 lúpulos americanos (Ahtanum, Cascade, Willamette e Palisade) e quatro lúpulos ingleses (East Kent Golding, Northdown, Challenger, Fuggle).


Brooklyn Detonation Ale- American Double IPA, Ale, 10.2% ABV.

Cor: Cobre, límpida.
Espuma: Cor bege.
Aroma: Lúpulo (herbáceo mais intenso, cítrico, floral, picante), frutado, cítrico, malte, caramelo, álcool mais intenso.
Paladar: Malte, doce mais intenso, caramelo, frutado, cítrico, lúpulo (herbáceo, cítrico, picante, )álcool mais presente, amargor final de intensidade e duração maiores ainda, bom corpo.

Cerveja extrema. Ela é mais escura, mais herbácea e mais amarga que a Blast!. Também faz parte da Brewmaster`s Reserve e foi feita pela primeira vez em 2010. Sua receita leva o famoso malte inglês Maris Otter, além de German Pilsner, British Crystal e açúcar demerara. Uma avalanche de diferentes tipos de lúpulo é utilizada, sendo eles Willamette, Amarillo, Palisade, Sorachi Ace (japonês), Simcoe, Cascade e East Kent Golding (Inglaterra).
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