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25 setembro 2012

Turismo Cervejeiro na Bélgica (Bruges) - Bierbrasserie Cambrinus



Para encerrar minhas dicas de locais para visitar em Bruges, hoje falo sobre minha visita a um dos melhores restaurantes e bares cervejeiros da cidade, o Cambrinus. Segundo as dicas de cervejeiros moradores da cidade, é melhor e mais barato que outro local mais badalado pela sua cuisine à la bière. Juro que até escrever este post eu achava que o nome era Gambrinus. Dúvida tirada através do website do local, vamos ao que interessa, as cervejas e pratos do local. 

O Cambrinus tem uma carta com aproximadamente 400 cervejas mas dessa vez eu não fiz fotos. Já não tinha mais a mesma disposição (se é que vocês me entendem) do início do dia. Você pode conferir a carta completa clicando aqui. 


O cardápio é tipicamente belga e tem muitos pratos feitos com cerveja. Vejam as opções aqui. Eu escolhi dois pratos. O primeiro foi um ensopado de peixe feito na cerveja Malheur com salmão, linguado e camarão. A cerveja para acompanhar foi uma Augustijn Grand Cru, uma Belgian Strong Golden Ale de 9% ABV, bem frutada e condimentada, com boa presença de malte, trazendo certo dulçor e notas aparentes de álcool.


O segundo prato foi o famoso Carbonade Flamade feito na cerveja Gulden Draak e acompanhado de um purê de maçã. Este é um dos pratos mais tradicionais da Bélgica e consiste em um ensopado de carne feito na cerveja. Para acompanhar eu pedi uma Rodenbach Grand Cru. Amo essa cerveja. A acidez dela permite muitas combinações com pratos. Belíssima refeição.'

Veja mais sobre a Rodenbach Grand Cru clicando aqui.


05 abril 2012

Chocolate harmoniza com cerveja?


Semana passada o Caderno Guia do Sabor do jornal Diário do Nordeste publicou matéria sobre harmonização de chocolate com cervejas. Infelizmente o espaço no caderno não foi suficiente para  todas as minhas dicas. Abaixo leia o texto completo, incluindo as cervejas encontradas em Fortaleza:


As pessoas não costumam pensar na harmonização de cerveja com chocolate. Mas também não adianta tentar harmonizar chocolate com as cervejas comuns que o brasileiro está mais acostumado a consumir. Com as cervejas certas a combinação pode ser uma prazerosa surpresa mesmo para quem diz não gostar de cerveja.

Cerveja e chocolate têm muitos pontos em comum. Ambos são fermentados. As sementes de cacau são fermentadas antes de passarem por processo de secagem e torra. Tradicionalmente no Brasil, cervejas escuras tem sua cor somente pela adição de corante. A mais conhecida delas é a Malzbier, uma cerveja muito doce, sem notas de torrefação e que parte de uma cerveja clara que pode não ter dado certo na fabrica. As cervejas escuras verdadeiras e tradicionais tem sua cor escura devido ao processo de torra dos grãos de cevada, mesmo processo usando nos grãos de cacau e café. Por isso cervejas que usam maltes escuros possuem sabores e aromas de torrefação que lembram café e chocolate. Existe até um tipo de malte usado pelas cervejarias que é chamado de malte chocolate. O último ponto em comum entre os dois é o balanço entre os sabores doce e amargo. O malte de cevada é naturalmente doce e essa doçura é balanceada pela adição do lúpulo que confere amargor. No chocolate a pasta de cacau feita com os grãos é amarga e esse amargor é balanceado pela adição de açúcar e leite em diferentes proporções. O chocolate amargo tem maior proporção enquanto o chocolate ao leite tem menor proporção de pasta de cacau. Existem até cervejas que tem chocolate na receita, que pode ser adicionado durante a fervura ou após a fermentação, aumentando ainda mais a percepção do ingrediente.

Existem princípios técnicos para a harmonização de bebidas com comidas. No caso da cerveja podemos seguir esses princípios. Os quatro mais importantes são semelhança, contraste, intensidade e carbonatação.

Semelhança: Existem sabores semelhantes entre cervejas e chocolates, ambos podem apresentar torrefação, café, caramelo, doce e amargo.

Contraste: Também existem sabores contrastantes entre cervejas e chocolates, como o doce de uma sobremesa com o amargo na cerveja. Existem cervejas ácidas que podem contrastar com o doce do chocolate.

Intensidade: Devemos procurar combinar chocolates mais intensos e ricos com cervejas mais intensas.

Carbonatação: O gás presente na cerveja permite limpar a língua e preparar o paladar para uma nova garfada, mesmo quando ingerimos alimentos gordurosos que cobrem a língua, como o chocolate.
Apesar de existirem princípios para guiar uma harmonização, na realidade não existe o certo e errado. Harmonizar com cervejas é um jogo de tentativa e erro prazeroso e divertido. Você pode descobrir as diferentes combinações que mais te agradem. Outras simplesmente não serão bem sucedidas.

Como degustar: Começar com uma mordida no chocolate, mastigar, deixar derreter na boca e tomar um gole da cerveja. Dar outra mordida no chocolate em seguida.


Chocolate amargo – A intensidade do chocolate amargo e meio amargo pede cervejas com perfil de torrefação mais intenso. Porters (Old Engine Oil, Meatime Coffee Porter, Meantime London Porter, Colorado Demoiselle) e Souts (Baden Baden Stout) combinam bem com chocolate amargo e meio amargo, mas uma Imperial Stout (Brooklyn Black Chocolate Stout), mais alcoólica e intensa vai combinar melhor com o chocolate com alto teor de cacau. Essa harmonização é a mais fácil e provavelmente mais prazerosa entre chocolate e cerveja.

Chocolate ao leite – O chocolate ao leite tem maior doçura e por isso vai combinar melhor com cervejas com menor intensidade de torrefação e mais adocicadas. Munich Dunkel e Schwarzbiers (Eisenbahn Dunkel), Belgian Dark Strong Ales (Chimay Bleue, Waterloo Double Dark 8) e Dubbels (Chimay Rouge, La Trappe Dubbel). Barley Wines (Brooklyn Monster Ale) e Old Ales (Ola Dubh) são cervejas mais adocicadas e alcoólicas e podem combinar com um chocolate ao leite de boa qualidade.

Chocolate branco – Essa é uma combinação menos óbvia, pois o chocolate branco não apresenta notas de torrefação. A tentativa é de harmonizar com as notas adocicadas do chocolate branco. Cervejas claras mais alcoólicas e adocicadas, como Belgian Strong Golden Ales (Brooklyn Local 1, Eisenbahn Strong Golden Ale) podem funcionar. Cervejas com frutas, como Fruit Lambics mais adocicadas (Boon Kriek), harmonizam por contraste entre a leve acidez da cerveja com o doce do chocolate.

Chocolate com frutas – Da mesma forma que encontramos chocolate com frutas, as cervejas com frutas podem brincar com o chocolate pelo mesmo princípio, tanto com o escuro como o branco.

Chocolate com laranja – Geralmente o chocolate usado nessas combinações é o de alto teor de cacau, portanto as cervejas que harmonizam com ele também o farão aqui. Imperial Stout, Stout e Porter.

Chocolate com passas – As Belgian Dark Strong Ales (Chimay Bleue, Waterloo Double Dark) e Dubbels (Chimay Rouge, La Trappe Dubbel) possuem notas adocicadas, de chocolate e de frutas escuras como ameixa e uva passa para harmonizar com o chocolate ao leite com frutas secas.

Chocolate com amêndoas – Bock, Doppel Bock (Paulaner Salvator) e Brown Ales (Brooklyn Brown Ale) possuem notas amendoadas e podem combinar com cervejas com castanhas e amêndoas em geral. As Brown Ales possuem também leves notas de chocolate, facilitando a harmonização por semelhança.

Para tortas, bolos, brownies e trufas de chocolate podemos seguir as regras anteriores, escolhendo a cerveja de acordo com a intensidade do chocolate encontrado em cada sobremesa.

25 janeiro 2011

Harmonização de queijo com cerveja Eisenbahn - Aula gratuita com Juliano Mendes



Recebi um e-mail bem interessante na última semana anunciando o II #provetuite da Eisenbahn. Vejam a mensagem abaixo:

"A Eisenbahn gostaria de te convidar a participar do segundo #provetuite, que será dia 26/01, às 20h, e terá harmonização com a Strong Golden Ale e queijo Gouda.

O #provetuite é um projeto da Eisenbahn, onde seu fundador e agora consultor de cervejas, Juliano Mendes, harmoniza uma cerveja da Eisenbahn ao vivo, via Twitcam. Você poderá fazer comentários, tirar dúvidas ou simplesmente assistir.

Caso não tenha ou não saiba onde adquirir suas Strong Gold Ale, o e-commerce de Eisenbahn já teve seu estoque devidamente abastecido para o evento. https://eisenbahn.com.br/loja/descloja.php.

O piloto do projeto pode ser visto nesse link http://twitcam.livestream.com/345s0.

O twitter de Eisenbahn é www.twitter.com/_eisenbahn_ e o do Juliano Mendes www.twitter.com/julianomendes ".

Recomendo demais que vejam o vídeo do I #provetuite no link http://twitcam.livestream.com/345s0. No vídeo tem uma aula de harmonização de Eisenbahn Kölsh com queijo brie. Eu já vi e realmente a aula do Juliano Mendes é muito boa. Com certeza vou assistir a segunda aula e aprender um pouco mais sobre o assunto.
Também iniciamos o Twitter do blog, o twitter.com/paraqvocerveja. Agora além de poder assistir o #provetuite também vou compartilhar informações do blog nessa rede social que pegou mesmo no Brasil.

30 março 2009

Aecht Schlenkerla Rauchbier Marzen

Rauchbier é um estilo alemão de cerveja de baixa fermentação (lager) com aroma e sabor defumado. A secagem do malte de cevada para este tipo de cerveja é realizada através da queima de madeira, que produz fumaça e passa esta característica para o malte. Antigamente este proceso de secagem do malte era largamente utilizado na Alemanha, mas foi sendo substituído por outros métodos que produziam maltes mais claros devido ao sucesso das cervejas claras. As Rauchbiers modernas se tornaram tradição na cidade de Bamberg na Francônia, apesar de que hoje somente duas cervejarias produzem este estilo de cerveja na cidade, a Brauerei Spezial e a Heller-Bräu Trum KG, que produz a Aecht Schlenkerla Rauchbier.

A cervejaria foi fundada no ano de 1678 em um prédio que fora um antigo mosteiro. Em 1901, Michael Graser se tornou dono da cervejaria. Ele andava movimentando os braços de uma forma engraçada. No dialeto da Francônia, esta forma de andar era chamada de "schlenkern". As pessoas foram chamando o lugar por este nome, que permanece até hoje. Nas garrafas da cerveja é possível ver um desenho que tenta descrever esta forma de andar do antigo proprietário. O nome da cerveja é resultado da união das palavras Aecht, que significa genuino em alemão antigo, Schlenkerla, que descreve a forma engraçada de andar de Michael Graser que virou o nome da Taverna/Cervejaria, e Rauchbier, que significa cerveja defumada, já que rauch é fumaça em alemão.

Além da Marzen, a Heller-Bräu, produz ainda uma cerveja de trigo defumada (Rauch Weizen), uma Rauchbier Bock (Ur-Bock) e uma Lager clara (Helles Lager). No Brasil somente podemos encontrar a Marzen, além de algumas versões de cervejarias brasileiras como a Eisenbahn Rauchbier e a Bamberg Rauchbier, ambas com um defumado menos potente, mas bem perceptível. Aparentemente, as Rauchbiers são cervejas mais lupuladas do que lagers comuns para contrabalancear a potência dos maltes defumados.


Aecht Schlenkerla Rauchbier Marzen - Rauchbier, Lager, 5.1%ABV, garrafa 500ml.

Cor: Cobre escura, límpida.
Espuma: Média formação e baixa duração, de cor bege clara.
Aroma: Defumado intenso, bacon, torrado, malte, doce, lúpulo.
Paladar: Defumado, bacon, torrado, malte, doce, amargor final, corpo médio.

Muito boa, diferente e agradável apesar de ser extrema. O defumado e o bacon dominam o conjunto e são bem extremos. Costumo chamar esta cerveja de bacon líquido. Quando você se acostuma, pode ser tomada até em maiores quantidades. Para quem está conhecendo, pode ficar um pouco enjoativa e até mesmo assustar um pouco. As versões de cervejarias brasileiras podem ser uma boa opção para começar a se acostumar melhor com o estilo.

Rauchbier com feijoada, uma ótima combinação.

Na zitogastronomia, harmonização de cervejas com gastronomia, as Rauchbiers são uma ótima opção para harmonizar com carne de porco e salchichões. Feijoada também é uma boa escolha e combina perfeitamente com esta cerveja. Não sou fumante, mas as Rauchbiers também podem ser harmonizadas com charutos.

16 março 2009

Belle-Vue Kriek

Belle-Vue significa bela vista. A cervejaria Belle-Vue foi fundada no ano de 1913 por Philémon Vandenstock e hoje faz parte do grande grupo cervejeiro Anheuser-Bush InBev. As cervejas produzidas por esta cervejaria são todas lambics, de fermentação espontânea, e podem ser encontradas as versões Geuze, Framboise, Kriek e Extra Kriek. Uma marca das Lambics da Belle-Vue é que estas são menos ácidas e mais adocicadas que outras Lambics mais tradicionais, sendo consideradas por isso versões mais comerciais e que assustam menos os consumidores ainda não acostumados com o estilo.

Saiba mais sobre o processo de fabricação de cervejas Lambic clicando aqui.

A Belle Vue Kriek inicia como uma Gueuze envelhecida por 3 anos em barris de carvalho. Cerejas ácidas são maceradas junto com esta cerveja e mais 1 ano de maturação ocorre. No Brasil, com a importação de algumas cervejas da InBev, foi possível encontrar a Belle-Vue Kriek nos anos de 2007 e 2008. Por hora ela desapareceu das gôndolas de supermercados e lojas especializadas. Eu tinha algumas garrafas dela guardadas e pude registrar a degustação para dividir a experiência com os leitores do blog.


Belle-Vue Kriek - Fruit Lambic, Lambic, 5.1%ABV, garrafa 375ml.

Cor: Vermelha, límpida.
Espuma: Boa formação e média/baixa duração, cor rosada, boa consistência, deixando muitas marcas pelo copo.
Aroma: Doce, cerejas, acidez, avinagrado.
Paladar: Doce, cerejas, acidez, avinagrado, alta carbonatação, corpo médio, final bem azedo seguido por sensação doce.

Cerveja boa e diferente. Apesar de ser uma versão mais comercial e menos ácida que as Lambics mais tradicionais, ainda assim apresenta uma boa complexidade e demonstra bem o que é o estilo. É uma ótima cerveja para se iniciar no mundo das Lambics. A presença de cerejas é bem forte e deixa a cerveja com um azedo bem marcante. É algo que me agrada muito mas pode assustar algumas pessoas. Por ser muito doce, também pode se tornar enjoativa em grandes quantidades. Pode ser considerada uma cerveja de sobremesa.


Fiz um teste harmonizando a Belle-Vue Kriek com chocolate amargo e com um chocolate branco com pedaços de frutas vermelhas fabricado por uma grande marca brasileira. Com o chocolate amargo ocorreu uma harmonização por contraste entre o amargo do chocolate e o doce e azedo da cerveja. No caso do chocolate branco, ocorreu uma harmonização por semelhança entre o azedo presente nas frutas vermelhas e na cerveja, além do aspecto doce também em comum.
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