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28 janeiro 2012

Turismo Cervejeiro em Londres - The Kernel Brewery


A cervejaria The Kernel até bem pouco tempo era completamente desconhecida por mim. Fiquei sabendo dela ao pesquisar sobre locais com cervejas interessantes em Londres. Essa é uma cervejaria nova e bem pequena, completamente artesanal. Até as tampas e os rótulos das garrafas são colocados a mão.

A cervejaria foi instalada dentro de uma área de depósitos que ficam abaixo da linha de trem urbano. Todos os sábados a The Kernel abre para o público das 9 da manhã até 3 da tarde. Acho que não existe um esquema de visitação. Pelo que vi nem precisa porque o local é bem pequeno. Não existe uma boa estrutura para receber visitantes mas mesmo assim o local fica cheio. As cervejas é que são o real atrativo. Os visitantes ficam na área externa em uma grande mesa coletiva ou mesmo em velhos bancos de madeira em meio a muito material de demolição. Parece que o vizinho da cervejaria vende material de construção retirado de demolições. Existem alguns vendedores de pães e embutidos artesanais no local mas você também pode aproveitar a proximidade com o Borough Market e comprar algo por lá também para comer junto com as cervejas e passar um bom tempo por lá.

As cervejas valem muito a pena. Eles não fazem Real Ales tradicionais britânicas. As cervejas deles lembram muito as as produções americanas, bem lupuladas, com muitas single hop (cervejas que usam somente uma variedade de lúpulo) Pale Ales e IPAs e algumas Porters e Stouts bem intensas. Não indico necessariamente prová-las na cervejaria, a não ser que não as encontre em nenhum outro local em Londres. Quando estive lé eu encontrei no Euston Tap e no Sourced Market (estação St Pancras) mas segundo o site da cervejaria não é difícil encontrá-las. Em todos os locais o preço era o mesmo, em torno de 3 libras cada garrafa long neck. Você não vai pagar mais barato por comprar direto na cervejaria, talvez só consiga encontrar uma maior variedade.

Provei quatro cervejas do portfólio da The Kernel e divido com vocês a minha experiência. Não deixe de ver o vídeo abaixo que mostra um pouco da produção das cervejas.


The Kernel Pale Ale Stella - American Pale Ale, 5.5% ABV.

Cor âmbar, turva.
Aroma de lúpulo cítrico, maracujá, grapefruit, limão.
Sabor de lúpulo cítrico, frutas tropicais (maracujá, abacaxi, grapefruit), limão, herbáceo, leve malte, caramelo, bom amargor.

Muito boa, refrescante, com bom amargor. Essa é uma American Pale Ale feita exclusivamente com o lúpulo Stella, o qual eu não conhecia. Tem notas de frutas cítricas e tropicais bem interessantes.




The Kernel India Pale Ale Citra - American India Pale Ale, 7.3% ABV.

Cor âmbar escura, turva.
Aroma de lúpulo, cítrico, limão, frutas tropicais (manga), leve adocicado, malte.
Sabor de lúpulo cítrico, frutas tropicais (manga), adocicado, malte, caramelo, bom amargor final, carbonatação média, bom corpo.

Ótima cerveja. Essa é uma India Pale Ale feita somente com o lúpulo Citra, conhecido por ter notas de frutas tropicais que lembram muito manga. Realmente o aroma e sabor da cerveja lembram muito o de uma manga bem madura. Ela é tem bom corpo e teor alcoólico um pouco mais alto mas mesmo assim as notas de frutas cítricas e tropicais contribuem para um conjunto bem refrescante e agradável.



The Kernel India Pale Ale Nelson Sauvin - American India Pale Ale, 8.8% ABV.

Cor âmbar escura, levemente turva.
Aroma de  lúpulo herbáceo, citrico, frutado, uva, leve malte, caramelo
Sabor de lúpulo herbáceo, cítrico, frutado, uva, malte, leve doce, caramelo, amargor final.

Boa cerveja. Essa é uma American IPA feita somente com o lúpulo Nelson Sauvin, o qual dizem lembrar vinho branco ou uvas. As notas de uva não são tão claras assim até porque o herbáceo e cítrico aparecem mais. Talvez pela sugestão você consiga encontrar algo de vinho ou de uva nela.



The Kernel Export India Porter - Porter, 5.9% ABV.

Cor preta quase opaca.
Aroma de torrefação, café, chocolate e lúpulo.
Sabor de torrefação, café expresso, chocolate, final com bom amargor e torrefação, bom corpo.

Boa Porter com notas intensas de torrefação e lúpulo perceptível. Foi consumida com um brownie e a combinação ficou maravilhosa.


14 novembro 2011

Turismo Cervejeiro em Londres - Visita à Fuller`s Brewery



Chegando na Fuller`s.

A Fuller`s Brewery é uma das maiores cervejarias independentes do Reino Unido. Ela fica no subúrbio de Londres, em Chiswick. Uma das formas mais fáceis de chegar lá é através do metrô. Basta pegar as linhas Picadilly ou District e descer na estação Turnham Green. Ao descer da estação, são cerca de quinze minutos de caminhada até a cervejaria. Saia na direção da esquerda e siga quase que em linha reta até atravessar uma larga avenida e encontrar a cervejaria. Veja este caminho a pé detalhado aqui.


Ainda antes de entrar já podemos ver os caminhões no estacionamento.

O tour pela cervejaria custa 10 libras se pago adiantado ou 12 se pago na hora. Recomendo marcar sua visita na cervejaria através do telefone ou do site. Para os aficionados por cerveja, estar em Londres e não visitar a cervejeria Fuller`s é o mesmo que um católico ir a Roma e não visitar o Vaticano. Respeitando as devidas proporções, realmente visitar cervejaria às vezes fica bem repetitivo, principalmente quando estamos falando de cervejarias grandes como a Fuller`s, pois sempre vemos os mesmos tipos de equipamentos e escutamos sobre o processo de fabricação. 


Quando visitamos cervejarias pequenas geralmente temos contato direto com os donos e cervejeiros e sentimos a paixão deles pelo trabalho. Não digo que a visita na Fuller`s não vale a pena, muito pelo contrário. Poder ver como são feitas suas cervejas preferidas é algo realmente imperdível, mas convenhamos que a melhor parte da visita mesmo é quando chegamos ao final e podemos desfrutar de quase todas as cervejas do portfólio, a não ser algumas sazonais e a série Vintage Ale. Você fica quase uma hora por lá degustando o que você quiser. 


Outro ponto importante na visita à Fuller`s é a loja da cervejaria que fica localizada no lado externo. Não precisa fazer a visita guiada para comprar na loja e lá é possível encontrar algumas raridades da cervejaria. Em outro post falo mais sobre isso.


A visita à Fuller`s começa com uma concentração do grupo no pub que fica no lado externo da cervejaria o he Mawson Arms. De lá o grupo segue para o ponto inicial, que também é o final da visita, o The Hock Cellar. Veja em imagens um pouco da visita:


The Hock Cellar, onde iniciamos e terminamos a visita na Fuller`s.
Neste local encontramos um pequeno museu além da área de degustação.

Mostruário com amostras em garrafas de quase toda a linha Fuller`s.
Clique na imagem para visualizar melhor.

Pequena explicação sobre a fabricação de cerveja ainda no The Hock Cellar.

Seja bem vindo à cervejaria Fuller`s. 
Este local é o primeiro que visitamos dentro da área onde a cerveja é feita.

Esta é a câmara refrigerada onde o lúpulo é estocado.

Área onde ficam os moinhos de grãos.
Amostras de malte à frente.

 
Tina de mostura.

Texto explicativo sobre o funcionamento da tina de mostura.
9.000 kilos de grãos são são misturados com água quente . As enzimas no malte quebram o amido em açúcares. O mosto quente é drenado e água quente é aspergida sobre os grãos.

Tinas de fervura.

Texto explicativo sobre o funcionamento da tinas de fervura.
O Lúpulo é adicionado e fervido junto com o mosto doce por 1 hora para adicionar amargor e aroma.

Antiga tina de fervura de cobre.

Explicação sobre a antiga tina de fervura.

Laboratório da cervejaria.

Antigo fermentador aberto não mais utilizado.

Área de distribuição com vários Kegs (parecido com o nosso chope).

Casks (barris com Real Ales) na área de distribuição.

Caminhões da Fuller`s.
Quero um desses para mim.

Barris de madeira que foram utilizados para maturar cervejas da série Brewers Reserve.

Terminando a visita na cervejaria e se dirigindo ao The Hock Cellar para a degustação das cervejas.

Final da visita na área de degustação no The Hock Cellar.
Cervejas servidas no dia: Discovery (Cask), Honey Dew (Keg), Seafarers Ale (Keg), Chiswick Bitter (Cask), HSB (Cask), London Pride (Cask e Keg), Red Fox (Cask), ESB (Cask), London Porter (Keg), Past Masters XX Strong Ale (garrafa), Past Masters Double Stout (garrafa), Bengal Lancer (garrafa).

Um brinde com nosso guia. 
Ele tem mais anos de trabalho na Fuller`s que eu de idade.

Final da visita no museu no The Hock Cellar.

Final da visita no museu no The Hock Cellar.

Final da visita no museu no The Hock Cellar.

Se despedindo da Fuller`s.

12 outubro 2011

Turismo cervejeiro na Bélgica (Bruxelas) - Visita à cervejaria Cantillon



De volta das minhas merecidas férias quero dividir com vocês uma das melhores experiências cervejeiras que tive: a visita à cervejaria Cantillon em Bruxelas. A Cantillon é uma cervejaria familiar e uma das poucas que ainda produz um dos mais tradicionais estilos de cerveja da Bélgica: as Lambics, cervejas de fermentação espontânea. Aproximadamente 1000 hectolitros (1 hectolitro = 100 litros) são produzidos anualmente com um equipamento antigo, datado do século XIX.

Paul Cantillon, o pioneiro.

Em 1900, Paul Cantillon estabeleceu a cervejaria em Anderlecht, em Bruxelas. Naquele tempo ela era uma das centenas de cervejarias da capital. Depois da II Grande Guerra, seus filhos Marcel e Robert tomaram conta da produção, que em 1958 foi de 2.500 hectolitros. 10 anos depois, Jean-PierreVan Roy, genro de Marcel, entrou para os negócios e deu continuidade à tradição da família. Hoje, seus filhos, Jean e Julie Van Roy são os responsáveis por manter os negócios.

Robert e Marcel Cantillon (esquerda) e Jean-Pierre Van Roy (direita). 
Jean-Pierre estava lá no dia da visita e ainda trabalhando, apesar de que não faz mais cerveja.

Visitar a Cantillon é quase como entrar em uma máquina do tempo. Realmente os equipamentos são bem antigos e a forma de fazer cerveja é das mais artesanais possíveis, a não ser pela moderna engarrafadora. As cervejas são amadas por uns e odiadas por outros. As notas produzidas pelos mais de 80 microorganismos responsáveis pela fermentação e principalmente o caráter ácido e acético pronunciado causam estranheza em algumas pessoas. Eu particularmente adoro e tive a grata oportunidade de provar as suas cervejas novas e em boas condições, além de também ter provado algumas raridades e ter trazido outras para casa. Da lojinha deles, comprei todos os souvenirs possíveis. Se você acha que o tom desse texto está muito piegas, você está certo. Eu sou um apaixonado declarado pelas cervejas e pela tradição da Cantillon. Abaixo algumas (muitas) fotos da visita com textos explicativos.

Sala de brassagen da Cantillon.
Os grãos moídos, cerca de 35% de trigo e 65% de malte de cevada, caem direto na tinha de mostura. Cerca de 1.300 kg de grãos são utilizados em cada brassagem. O cervejeiro utiliza 10.000 litros de água quente para extrair os açúcares dos grãos. Essa sala fica no andar térreo.

Moinho de grãos.
No pavimento superior ficam o moinho de grãos (centro), um reservatório de água quente em aço inox com capacidade para 5000 litros (direita) e a tina de fervura (esquerda).

Tina de fervura.
Aqui o mosto é aquecido. Os cerca de 10.000 litros de mosto são bombeados da tina de mostura até aqui. Após 3 a 4 horas cozinhando, o líquido fica esterilizado e são perdidos cerca de 2.500 litros por evaporação. 20kg de lúpulo envelhecido são adicionados nessa fervura. O lúpulo utilizado é envelhecido para não dar amargor e aroma, mas somente aproveitar as propriedades conservantes.

Depósito de grãos.
Utilizado para estocar grãos durante a temporada de fazer cerveja, que na Cantillon vai do final de outubro ao começo de abril.

Tanque de resfriamento.
Um dos locais mais importantes da cervejaria. Os 7.500 litros de mosto são bombeados para este tanque aberto. O mosto quente vai resfriar durante a noite até 18 a 20⁰ C. Este resfriamento só pode ser obtido durante os meses frios, por isso a temporada de fazer cerveja vai de outubro a abril. Dependendo das condições climáticas (vento, temperatura, chuva) venezianas podem ser abertas ou fechadas nos lados do tanque para controlar a ventilação. Durante este resfriamento o líquido é inoculado com os microorganismos selvagens presentes no ar. Estes microorganismos são específicos dessa sala e serão os responsáveis por iniciar a fermentação da cerveja. O mosto é inoculado quando chega a temperatura de 40⁰ C. Em uma cervejaria comum, deixar o mosto ser contaminado estraga a cerveja pois o fermento selvagem ou bactéria vai competir com a levedura escolhida para fermentar a cerveja. Na Cantillon a levedura não é escolhida, simplesmente está lá, no ar, nas fretas dos tanques, nos barris de madeira, em todo lugar.


Tanque de inox.
Na manhã seguinte, o líquido flui para este tanque. Aqui a temperatura e o conteúdo de açúcar são controlados pela última vez.

Barris de madeira.
Do tanque de resfriamento, o líquido é bombeado para barris de carvalho e madeira de castanheira, cada um com capacidade entre 255 e 500 litros. Entre 13 e 28 barris são enchidos em cada produção. Após alguns dias, a reação das leveduras selvagens com os açúcares provocam uma fermentação. Essa reação inicialmente é violenta e visível. Por 2 ou 4 dias a produção de gás carbônico é tão grande que os barris não podem ser fechados pelo risco de explosão. Uma espuma branca sai pela abertura do barril. Cerca de 5 a 10 litros são perdidos em cada barril. Infelizmente não tenho foto dessa reação, já que naquele dia, final de setembro, ainda não havia começado a produção de cerveja.

Barris de madeira com cerveja fermentando.
A fermentação dentro dos barris dura até 3 anos. Hoje são conhecidos 86 microorganismos diferentes responsáveis pela fermentação das lambics. Dois deles são bem importantes: o Brettanomyces Bruxellensis e Lambicus. Eles assimilam os açúcares não fermentáveis (dextrinas) e reduzem o conteúdo de açúcar em uma lambic de 3 anos para somente 0.2%.

Registrando uma prova de que realmente fui lá!

Teias de aranhas entre os barris. 
Cena comum na Cantillon. Diz-se que as aranhas são importantes por serem predadoras de insetos, atraídos pelos açúcares e frutas presentes nos barris. Assim o equilíbrio é mantido dentro da cervejaria sem a necessidade do uso de inseticidas. A lambic fica pronta para beber em poucas semanas, mas o cervejeiro precisa esperar pelo menos um ano para obter uma cerveja melhor que possa ser utilizada para fazer outros produtos, como Gueuze e Fruit Lambics.

Após a fermentação em barris de madeira, a cerveja é bombeada para um tanque de inox (no centro, ao fundo). Muitas partículas estão presentes na cerveja nesse momento. A cerveja passa por um filtro de placas de celulose (a frente, no centro), removendo todas as partículas mas deixando o açúcar residual, importante para a refermentação dentro das garrafas. A cerveja filtrada é bombeada para dois tanques de inox (ao fundo na direita dá para ver um deles) conectados a maquina engarrafadora através de tubos. A Gueuze é feita pela mistura de Lambics de 1, 2 e 3 anos. De cada 10 barris provados, 5 ou 6 são selecionados para fazer a Cantillon Gueuze. As Fruit Lambics são feitas pela adição de frutas regionais (cerejas, framboesas ou uvas). Durante o verão, são adicionados cerca de 150kg de frutas em 500 litros de uma lambic de 2 anos. A reação conhecicda como maceração ocorre durante pelo menos 3 meses, extraindo o sabor, a cor e o açúcar das frutas. Depois um terço de Lambic nova é adicionada para dar mais açúcar para uma fermentação dentro da garrafa. A cerveja é filtrada e engarrafa.

Antiga engarrafadora não mais utilizada.

Engarrafadora moderna.

Linha da engarrafadora e adega com garrafas maturando cerveja.
Depois de engarrafada, a cerveja fica durante alguns meses na posição horizontal refermentando e maturando. O açúcar da Lambic nova dá início a uma nova fermentação. A Lambic tradicional é descarbonatada, sem gás. A Gueuze tem bastante carbonatação produzida durante a refermentação dentro da garrafa.

Mais cerveja na adega.

Souvenirs à venda na Cantillon. 
Copos, taças, bolachas, camisetas, suéteres, posters, além das cervejas para levar para casa.

Cervejas disponíveis para degustação no local.

Cantillon Lambic ( Lambic pura).
Quase que totalmente sem gás. Tradicional aroma e sabor de lambic, com notas animais de couro, celeiro, a chamada sela de cavalo, um acético bem presente mas sem agredir, azedinha no final com algum residual de doçura.

Cantillon Gueuze.
Aqui a carbonatação aparece bem com as mesmas notas de levedura selvagem da Lambic nova. Ela também é mais azeda e acética e bem seca. Muito aromática com notas de vinho e da levedura selvagem.

Cantillon Kriek (cerejas).
Belíssima apresentação, bem rosada. Já provei antes a Kriek bem envelhecida, cerca de 10 anos, mas nova ela é bem mais frutada, com mais presença do sabor da cereja. Quanto mais envelhece, mais as notas de frutas desaparecem e dão lugar as notas de levedura selvagem e acidez. Esta é menos ácida que a Gueuze, preservando um leve dulçor da fruta.

Cantillon Rosé de Gambrinus (framboesas).
Intensamente frutada, e com as notas de levedura selvagem, vinho e madeira. A framboesa é uma fruta mais ácida que a cereja usada na Cantillon, por esse motivo, a Rosé de Gambrinus é bem mais ácida que a Kriek, além de ser mais seca também. 

Cantillon Faro.
Faro é a mistura de Lambic nova com açúcar. Eles não engarrafam essa mistura, da mesma forma que também não engarrafam a Lambic pura. A Faro é feita na hora mesmo. Já sabia que Jean van Roy não gostava da Faro por ele achar que foge um pouco da tradição mas insisti em provar já que não teria outra oportunidade depois. Ela é bem mais leve devido ao açúcar que atenua a acidez, mas mesmo assim mantém as características da Lambic e é bem seca.

Cantillon Zwanze 2011, edição especial anual. Leva uva pinot d`aunis.
Essa eu dei sorte. Por ter conversado bastante com Jean e declarado minha paixão pela Cantillon, ele me ofereceu uma taça da Zwanze 2011. A Zwanze é uma série especial lançada uma vez ao ano desde 2008 com receitas diferentes. A 2008 foi feita com ruibarbo, uma planta bem azedinha. A 2009 foi feita com "Edel Flowers" (não encontrei tradução, mas não é a edelweiss pelo que conversei com Jean). Essa passou a ser fabricada na linha normal com o nome de Mamouche. A 2010 foi feita com uma cerveja ale de trigo que fermentou na Cantillon sendo também inoculada com fermento selvagem, tendo portanto uma fermentação mista. A Zwanze 2011 foi feita com uvas pinot d`aunis. Preserva bastante as caraterísticas de uva e mostra muita semelhança com vinho, uma acidez bem marcante e bastante seca. 

Cantillon Zwanze 2011, com uva pinot d`aunis, sua garrafa e rótulo.
Infelizmente a versão 2010 chegou a ser oferecida por mais de 80 Euros no e-bay, enquanto foi vendida somente por 6 Euros na cervejaria. Por esse motivo, agora em 2011, Jean engarrafou somente 1/3 da produção e enviou o restante em barris para vários países, dando oportunidade aos amantes das cervejas ácidas de provarem a raridade em seus países e evitando a especulação e o dinheiro fácil para alguns. Nenhuma garrafa dela será vendida para consumo fora da cervejaria.

Jean Van Roy, o artista da Lambic e Gueuze, e eu.


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