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12 setembro 2012

Hopus



A Hopus é uma cerveja belga relativamente nova da Brasserie Lefèbvre. Ela é do estilo Belgian IPA, que em geral segue a receita de uma Belgian Ale com maior presença de amargor e aroma de lúpulo. Essa é uma tendência recente na Bélgica e teve como umas das principais razões o interesse do mercado americano por cervejas com maior protagonismo no lúpulo. A maior parte da produção das cervejarias belgas menores é voltada para exportação.

As cervejas belgas geralmente são refermentadas na garrafa. Diferentemente do que ocorre com cervejas de trigo alemãs, onde o fermento decantado na garrafa é servido junto da cerveja no copo, nas belgas a tradição é de não servir o fermento para preservar uma aparência mais cristalina da cerveja. Deixa-se um pouco da cerveja dentro da garrafa com o fermento (cerca de um dedo), que é servido no copo somente quando este já foi esvaziado. A questão é de tradição mas aparentemente a cerveja fica um pouco mais amarga com a dose de fermento.

Hopus em garrafa swing top e as duas taças separadas.
A taça menor é para servir o fermento separadamente.

Não sei de nenhum outro país que tenha mais cuidado no serviço das cervejas que a Bélgica O cuidado é tanto que até dentro da mesma cervejaria, cada cerveja tem seu copo. Um dos diferenciais da Hopus é  o serviço em 2 taças separadas, sendo uma delas bem pequena para conter a dose de fermento ou "yeast shot". O nome shot descreve ainda melhor a dose de fermento quando vemos que a maioria dos copos de cervejas belgas voltados para este fim tem o mesmo formato dos copos para doses de destilados, os famosos shots. Hoje é possível encontrar outras cervejas belgas com essa mesma forma de serviço mas a Hopus é a que mais tem difundido essa moda nos bares pela Europa.

Já exitem alguns rótulos da Lefèbvre no Brasil. São as Floreffe Blonde, Brune e Tripel. A importadora oficial da marca no Brasil anunciou ontem a chegada de mais uma Floreffe, a Prima Melior, além da Hopus e da Witbier da cervejaria, a Blanche de Bruxelles.  


Hopus - Belgian IPA, 8.3% ABV, garrafa 330ml.

Cor: Dourada intensa, límpida.
Espuma: Boa formação e duração, cor branca, forma picos, deixa muitas marcas.
Aroma: Lúpulo (herbáceo, picante, condimentado, leve cítrico), leve malte, leve adocicado, leve frutado.
Paladar: Leve malte, leve adocicado, mel, baunilha, leve frutado, lúpulo (herbáceo, picante, condimentado, cítrico), bom amargor, bem seco e cortante, corpo médio.
Yeast Shot: Aparência mais turva e escura, baixa formação e baixíssima duração de espuma, sabor levemente mais amargo.

Boa cerveja. Essa veio comigo na mala direto da Bélgica e devia estar em boas condições. Poderia ter maior complexidade, um frutado mais intenso e definido como na maioria das Belgian Ales. A lupulagem dela é bem interessante. Segundo a cervejaria são cinco tipo diferentes de lúpulo. Arrisco dizer que usam lúpulos nobres da Alemanha e/ou República Tcheca com predominante sensação de herbáceo, condimentado e levemente cítrico. A separação da cerveja em duas taças serve somente para valorizar a estética do serviço mas atire a primeira pedra quem não acha esse um dos maiores charmes das cervejas belgas.

Até o descanso de copo da Hopus tem espaço para as duas taças.

06 setembro 2012

Delirium Red



A Delirum Tremens é uma cerveja já bem conhecida no Brasil pelo publico que consome cervejas especiais. Ela com certeza é o produto de maior sucesso da cervejaria belga Huyghe. A garrafa pintada imitando cerâmica e o charmoso elefante cor de rosa com certeza são um tiro certeiro do marketing da cervejaria. 

Um dos últimos rótulos lançados pela cervejaria foi a Delirum Red, uma cerveja frutada da linha Delirium que usa cerejas, suco de cerejas e suco do fruto do sabugueiro, mas também é adoçada e flavorizada artificialmente. A cerveja foi lançada ainda no início de 2011 mas somente agora está chegando no Brasil. Essa aqui foi comprada em Bruxelas mesmo e provada alguns meses antes de chegar no Brasil.


Delirium Red - Fruit Beer, 8.5% ABV, garrafa 330ml.

Cor: Vermelha escura, refllexos rosados, límpida.
Espuma: Boa formação, média duração, cor rosa clara.
Aroma: Frutas vermelhas, cerejas, adocicado, leve caramelo, levíssimo fenólico, leve álcool.
Paladar: Frutas vermelhas, cerejas, doce intenso, leve caramelo, levíssimo fenólico, condimentado, leve álcool, levíssimo amargor, final adocicado, leve acidez, levemente seca, corpo médio.


Cerveja frutada que leva na realidade suco de frutas. A adição de suco de frutas é comum entre as cervejas de frutas mais comerciais na Bélgica. A Deliruim Red tem características muito próximas de outras fruit beer belgas, como um sabor intenso de frutas vermelhas/cerejas e um adocicado bem presente. Ela fica mais próxima das Fruit Lambics comerciais belgas do que das outras cervejas frutadas produzidas pela Huyghe, as Floris. Ela apresenta um pouco de fenólico condimentado devido provavelmente ao uso da mesma levedura usada nas versões mais conhecidas da cervejaria, Tremens e Nocturnum, e pouco comum em cervejas desse estilo. Outro aspecto diferente é o teor alcoólico relativamente alto para uma fruit beer na Bélgica. Curiosamente é o mesmo teor alcoólico das outras Delirium. Fica a dúvida se a Red teve como receita base alguma das Delirium mais tradicionais. 

04 setembro 2012

Mikkeller 1000 IBU



A Mikkeller é considerada pelos aficionados a melhor cervejaria da Dinamarca. Há somente 12 anos, Mikkel Borg, o fundador da Mikkeller, não conhecia quase nada sobre cerveja. Depois de trabalhar em um bar e conhecer alguns estilos diferentes ele se interessou pelo homebrewing. Junto com um amigo de infância ele começou a fazer cerveja em casa. Essas cervejas fizeram sucesso por uns 2 anos até que em 2006 eles fundaram a Mikkeller. Um das primeiras cervejas deles a fazer sucesso mundial foi a Beer Geek Breakfast, uma Oatmeal Stout com café, quando foi escolhida a melhor Stout no site Rate Beer.

A Mikkeller é chamada de cervejaria cigana. Não existe uma cervejaria física da ainda nova mas já famosa marca de cerveja dinamarquesa. As cervejas são feitas em cervejarias de vários países, como Noruega, Bélgica, Reino Unido e Estados Unidos. Hoje a maioria das cervejas são feitas na cervejaria belga De Proeuf mas existem inúmeras receitas feitas em colaboração com cervejarias famosas entre os beer geeks, como Struise, Three Floyds e Stone. O local para conhecer melhor as cervejas da marca é o bar oficial que fica em Copenhagem.


Quando estive em Amsterdan, pude encontrar a cerveja título desse post, a Mikkeler 1000 IBU, uma Imperial IPA. O IBU (International Bitterness Units) é uma unidade de medida de amargor. As cervejas comerciais mais consumidas no Brasil possuem cerca de 10 IBU, enquanto uma IPA regular possui entre 40 a 70 IBU e uma Imperial IPA geralmente tem até 120 IBU. Apesar de possuir declarados 1000 IBU, essa cerveja não chega a ser tão mais amarga que outras Imperial IPA com bem menos pontos na escala de amargor. Acima de 100 IBU passa a ser difícil perceber diferenças no amargor. Além disso, uma cerveja que possui 100 IBU pode ser mais amarga que uma de 1000 IBU pois a carga de malte e portanto de dulçor residual na cerveja pode afetar a percepção do amargor. 

A chegada ao mercado brasileiro das cervejas da Mikkeller já foi anunciada. Mikkel Borg inclusive está no Brasil desde a semana passada para participar de eventos e promover suas cervejas Não sei se a 1000 IBU está entre as cervejas que chegaram mas espero encontrá-las por preços interessantes.


Mikkeller 1000 IBU - Imperial India Pale Ale, 9.6% ABV, garrafa 375ml.

Cor: Âmbar escura, bem turva, grande depósito de sedimentos.
Espuma: Boa formação, média duração, cor bege, bem compacta, deixa marcas no copo.
Aroma: Lúpulo (herbáceo dominante, grama, mentolado, cítrico, grapefruit, frutas tropicais, pinheiro, maracujá), adocicado, forte caramelo, toffee.
Paladar: Amargor inicial, malte, adocicado intenso, caramelo, toffee, lúpulo (herbáceo predominante, picante, condimentado, cítrico, grapefruit, pinheiro), amargor intenso e duradouro, residual doce presente, bom corpo.


Ótima cerveja. Extrema mas com boa complexidade de lúpulo. Ao abrir a garrafa, o aroma de lúpulo herbáceo, lembrando grama, já dominou o ambiente. O amargor talvez seja o mais forte que já tive oportunidade de provar em uma cerveja. Ao esquentar, o adocicado do malte foi aparecendo cada vez mais, com toques intensos de caramelo e toffee. O aroma de lúpulo foi ficando cada vez mais complexo, mostrando notas de frutas cítricas (grapefruit) e tropicais (maracujá), apesar de que no sabor as notas herbáceas continuaram predominantes. O amargor foi ficando mais equilibrado e muito próximo de outras Imperial IPA que já provei.

28 junho 2011

Antares Witbier e Doppelbock - Seleciones del Brew Master



A cervejaria Antares foi assunto em post recente no blog. Na oportunidade falamos sobre as cervejas regulares da maior micro cervejaria argentina. Além das cervejas regulares, a Antares fabrica ainda uma série que eles chamam de Seleciones del Brew Master, ou seleção do mestre cervejeiro. Nessa série são fabricados estilos diferentes dos regulares e de forma limitada, de forma que sempre uma cerveja diferente está disponível. Já estiveram disponíveis nessa série Pale Ale, India Pale Ale, Tripel, Pilsen, German Pilsner, Weissbier, entre outras.

Quando estive em Buenos Aires no final de 2009 e início de 2010 eu consegui comprar as duas cervejas da série que estavam disponíveis no mercado: a Witbier e a Doppelbock. Destaque para os belíssimos rótulos das duas. Apesar de somente estar postando agora, elas foram degustadas ainda novas no início do ano passado. Divido com vocês a minha experiência.


Antares Witbier - Witbier, Ale, 5% ABV, garrafa 660ml.

Cor: Amarela pálida, turva.
Espuma: Boa formação e duração, cor branca, bolhas em pequenas, boa consistência.
Aroma: Malte, cítrico, frutado, baunilha, sementes de coentro, condimentado.
Paladar: Malte, cítrico, frutado (limão, laranja), baunilha, sementes de coentro, amargor quase inexistente, sensação final cítrica e condimentada, corpo leve, refrescante.

Boa witbier, Muito fiel ao estilo com ótima refrescância, um aroma muito bom e perfumado, com notas frutadas, cítricas de baunilha e sementes de coentro. O corpo é leve e o conjunto é muito equilibrado. Interessante ver no rótulo que usaram aveia na receita. A aveia pode ser utilizada em pequenas quantidades para melhorar o corpo e a textura da cerveja.




Antares Doppelbock - Doppelbock, Lager, 7.7% ABV, garrafa 660ml.

Cor: Cobre, límpida.
Espuma: Média/baixa formação, baixa duração, cor marfim.
Aroma: Malte, adocicado, caramelo, toffee, leve frutado, cítrico, lúpulo, leve picante.
Paladar: Malte, doce, caramelo, lúpulo, leve cítrico, picante, leve álcool, amargor final, corpo médio.

Boa cerveja. Diferente de outras doppelbocks que já provei. Nessa, apesar de termos a boa presença dos maltes, o lúpulo está bem presente no aroma e no sabor com toques cítricos e frutados. Essa caraterística pode ser devido ao uso do lúpulo cascade argentino. Também notei essa particularidade ao provar a Barley Wine da Antares, que faz parte da linha normal da cervejaria.


08 junho 2011

Antares




Antares é a estrela mais brilhante da constelação de escorpião e durante séculos guiou o destino dos marinheiros. Os amigos Marina, Leo e Pablo escolheram este nome para a que é hoje a maior cervejaria artesanal da Argentina. A história da Antares começa no início da década de 90, quando Marina e Leo foram morar nos Estados Unidos e lá aprenderam a arte de fazer cerveja em casa com o californiano Tim Patterson. Pablo, que era colega de graduação dos outros dois, sem saber o que estava acontecendo, aprendia com livros sobre formas de construir equipamentos para fazer cerveja.

Os três se reencontraram em Mar del Plata e no final da década de 90 resolveram abrir o primeiro Antares Brewpub. Hoje existem mais de 10 Brewpubs da Antares por toda a Argentina. Eles produzem variados estilos de cervejas. Além de serví-las "tiradas" (o mesmo que nosso chope ou o "on tap" dos americanos), eles também vendem suas cervejas engarrafadas.

Eu já devia este post desde o início de 2010, quando voltei de uma visita à Buenos Aires trazendo algumas cervejas artesanais argentinas na mala comigo. 


Antares Scotch Ale - Scotch Ale, 6% ABV, garrafa 330ml.

Cor: Cobre, límpida.
Espuma: Boa formação e duração, cor bege clara, boa consistência, deixa marcas no copo.
Aroma: Malte, leve lúpulo (cítrico), frutado, caramelo, leve amadeirado, leve torrefação.
Paladar: Malte, adocicado, caramelo, frutado, leve toffee, leve lúpulo, leve amadeirado, amargor médio, final adocicado predominante, bom corpo.

Boa cerveja. As Scotch Ales têm como característica principal a predominância dos maltes. Isso ocorre porque os escoceses sempre sofreram com escassez de lúpulo, fazendo com que esse ingrediente sempre ficasse em segundo plano nas cervejas tradicionais desse país. Na Scotch Ale da Antares eles usam uma variedade de lúpulo que cresce na Argentina, um cascade que se adaptou bem na região sul do país. Aliás quase toda microcervejaria argentina utiliza este cascade, que apesar de não ter a intensidade do cascade americano, apresenta as mesmas características cítricas. Esta característica cítrica aparece no aroma dessa cerveja, o que não seria o correto para o estilo, mas também não compromete a qualidade da cerveja. Ela é predominantemente doce mas tem sempre o lúpulo com um amargor médio/baixo que equilibra o conjunto.


Antares Porter - Porter, Ale, 5.5% ABV, garrafa 660ml.

Cor: Marrom bem escura, reflexos vermelho rubi, límpida.
Espuma: Média formação e duração, cor bege, boa consistência, deixa muitas marcas no copo.
Aroma: Malte, torrefação, leve café, leve chocolate, leve lúpulo.
Paladar: Malte, torrefação, café, chocolate, lúpulo, leve acidez, bom amargor final de média intensidade e boa duração, corpo médio.

Boa cerveja. Bons toques de torrefação, café e chocolate vindos dos maltes e um bom amargor do lúpulo. O sabor é mais intenso que o aroma.


Antares Barley Wine - Barley Wine, Ale, 10% ABV, garrafa 330ml.

Cor: Cobre, límpida.
Espuma: Média formação e duração, cor marfim.
Aroma: Malte, caramelo, doce, frutado (frutas cristalizadas), lúpulo (cítrico), leve álcool, picante.
Paladar: Malte, caramelo. doce, frutado (frutas cristalizadas), lúpulo (cítrico), leve álcool, picante, amargor final de boa intensidade e duração, bom corpo.

Boa cerveja. Claramente uma American Barley Wine devido ao aroma de lúpulo cítrico, nesse caso o cascade argentino, mas também pelo amargor mais intenso do que encontramos nas versões inglesas. Já provei a Antares Barley Wine outras vezes e sempre gostei dela. Esta aqui estava em guarda, com mais de 6 meses passados do prazo de validade. Fiquei surpreso como o aroma de lúpulo e o amargor ainda estavam bem preservados.


Antares Imperial Stout - Imperial Stout, Ale, 8.5% ABV, garrafa 330ml.

Cor: Preta, opaca.
Espuma: Boa formação e duração, cor bege escura, deixa muitas marcas no copo.
Aroma: Malte, torrefação, café, chocolate, leve defumado, leve lúpulo.
Paladar: Malte, torrefação, café, chocolate, leve defumado, acidez, amargor final bem presente, de boa duração e acompanhado de torrefação, corpo médio, seca.

Ótima cerveja. Muito bem feita com um alto padrão de qualidade. O álcool é totalmente imperceptível, muito bem inserido. Podemos sentir intensas notas de torrefação, chocolate, café e até algo defumado. O lúpulo se faz notar levemente no aroma, mas traz um bom amargor ao final de cada gole.


31 maio 2011

Stone Vertical Epic Ale 09.09.09



A Stone já foi assunto de vários posts aqui no blog com suas cervejas India Pale Ale, Ruination IPA e Smoked Porter, além do evento de degustação com 40 opções diferentes em Nova Iorque. Esta cervejaria californiana se destaca no mercado americano produzindo os mais diversos estilos de cervejas com muita ousadia e qualidade, além de uma mão bem pesada para o Lúpulo.

Um dos projetos mais interessantes e criativos da Stone é a série Vertical Epic. Esta é uma série especial de Ales refermentadas na garrafa e projetadas para envelhecer bem até o ano de 2012. Uma cerveja diferente é lançada a cada ano, sempre com o intervalo de 1 ano, 1 mês e um dia entre elas. A primeira foi lançada em 02/02/02 e portanto as seguintes foram 03/03/03, 04/04/04, 05/05/05 e assim por diante até a última que será lançada em 12/12/12. Nenhuma das receitas foi repetida e a intenção da cervejaria é de fazer uma degustação vertical no dia 12/12/12 com todas as cervejas da série. O site da Stone traz uma descrição de todas as Epic Ales lançadas até hoje, incluindo as receitas de cada uma para que "homebrewers" possam reproduzir as cervejas em casa.

Contra rótulo em "silk screen" da cerveja (Clique na imagem).

Mais informações do contra rótulo (clique na imagem).

Eu consegui uma Stone Vertical Epic 09/09/09. A cervejaria a classifica como uma Imperial Porter feita no estilo belga. Na receita da cerveja eles utilizaram maltes escuros, candy sugar escuro e fermento belga. Cascas de tangerina e favas de baunilha foram usadas como temperos especiais no final da fervura e na maturação foram adicionados chips de carvalho. Abaixo minhas impressões sobre ela:


Stone Vertical Epic Ale 09.09.09 - Belgian Dark Strong Ale, 8.6% ABV, garrafa 660ml, US$ 6,80.

Cor: Preta, opaca.
Espuma: Boa formação e duração, cor bege escura, boa consistência, deixa muitas marcas no copo.
Aroma: Malte, torrefação, chocolate, leve café, frutado (banana passa), cítrico, baunilha, fenólico, picante, madeira (carvalho).
Paladar: Malte, torrefação intensa, chocolate, fenólico, frutado (banana passa), citrico, acidez da torrefação, álcool, baunilha, madeira (carvalho), final mais adocicado com algum amargor acompanhando, ótimo corpo, textura aveludada, levemente seca, carbonatação relativamente baixa.

Ótima cerveja. Rica e intensa. Complexa, com muitas camadas de sabor, mas ao mesmo tempo fácil de beber. Esta é daquelas para se apreciar com calma, pois sendo tão fácil de beber ela pode se tornar perigosa. Hora ela lembra uma Belgian Dark Strong Ale, com seu fenólico bem presente trazendo notas picantes e condimentadas além do frutado (banana passa), ora lembra uma Imperial Stout (ou Porter como quer a cervejaria), com muito malte, chocolate e torrefação em um corpo denso e alcoólico. As notas de baunilha e carvalho são bem evidentes. Neste caso elas podem vir tanto das favas da especiaria como dos chips de carvalho. Para completar, ela tem um toque cítrico, que não chega a lembrar os típicos lúpulos americanos e poderia ser encontrado em uma Black IPA/Cascadian DarkAle. Aqui este cítrico vem da adição das cascas de tangerina. Interessante, instigante e delicioso.


16 janeiro 2011

Stone Ruination IPA


Mais uma cerveja da Stone no blog. Esta cervejaria californiana ficou famosa pelas suas cervejas extremas e pela irreverência. A Stone Ruination IPA é uma American Double IPA produzida o ano inteiro pela cervejaria. No rótulo podemos ler que esta cerveja é um poema líquido em homenagem à glória do lúpulo.

India Pale Ale (IPA) é um estilo de cerveja típico da Inglaterra surgido durante o século XVIII, época que a Índia era uma colônia inglesa. Segundo relatos, existia a necessidade de fabricar uma cerveja que pudesse ser transportada nas longas viagens de 4 meses entre a Inglaterra e a Índia sem que chegasse estragada. Cervejas com maior teor alcoólico e maior presença de lúpulo conseguiam se manter mais estáveis durante as viagens, já que tanto o álcool como o lúpulo possuem propriedades conservantes. A India Pale Ale foi portanto uma adaptação das tradicionais English Pale Ales (ales pálidas) que, devido ao maior teor alcoólico e à maior proporção de lúpulo, adquiriram mais corpo e amargor.

Voltando à Stone Ruination IPA, ela possui mais de 100 IBU. O IBU (International Bitterness Unit) é a unidade de medida de amargor. Ele é medido de acordo com o tipo de lúpulo usado na cerveja, a quantidade de alfa ácidos (a substância que tem propriedades amargas) desses lúpulos, o tempo de fervura pelo qual passou cada lúpulo e a quantidade utilizada. Apesar de ser uma medida objetiva, a percepção do amargor é algo bem subjetivo, pois depende de outros fatotes, como a quantidade de açúcar residual na cerveja. Quanto mais doce a cerveja, menor será a percepção do amargor. Para se ter uma idéia da magnitude de amargor da Ruination IPA, as cervejas cormerciais comuns brasileiras têm em torno de 10 a 12 IBU. As IPA inglesas clássicas têm em torno de 40 a 60 IBU e as IPA americanas têm de 40 a 70 IBU. A IPA mais básica da Stone tem 77 IBU e já é bem amarga. A corrida pela fabricação da ceveja mais amarga e com maior IBU é algo pelo qual os americanos passam há alguns anos e é bem fácil perceber isso nas prateleiras dos mercados americanos.

Stone Ruination IPA - American Double IPA, Ale, 7.7% ABV, garrafa 355ml.

Cor: Âmbar, levíssima turbidez.
Espuma: Boa formação, média duração, cor marfim, bem consistente, deixa marcas no copo.
Aroma: Lúpulo (cítrico, floral, herbáceo, pinheiro), frutado, laranja, limão, leve malte, caramelo, mel, leve álcool.
Paladar: Malte, caramelo, doce, lúpulo dominante (cítrico, herbáceo), frutado, limão, laranja, leve álcool, amargor final de lata intensidade e duração, bom corpo.

Cerveja extrema. As notas adocicadas de malte e o álcool ajudam a equilibrar as notas amargas, e geralmente são utilizadas para equilibrar cervejas mais amargas como as IPA e ainda mais nas American Double IPA. Na Ruination fica bem fácil perceber a existência de malte, com notas de caramelo e algo de mel, e o álcool também. Apesar disso não existe muito equilíbrio nesta cerveja. O que domina mesmo é o lúpulo, com notas bem complexas herbáceas, de pinheiros, florais, mas principalmente cítricas. O aroma é delicioso. Eles deixam bem claro o que você vai encontrar na cerveja antes mesmo de abrí-la. Até no Pint da Ruination há a inscrição: "I`m very bitter... and I like this", ou seja, sou bem amarga... e adoro isso!

10 janeiro 2011

Unibroue Terrible


A Unibroue é uma cevejaria canadense que fabrica cervejas de estilo belga. A história desta cervejaria começou em 1991, quando André Dion e Serge Racine compraram uma cervejaria com problemas financeiros. No início de 1992 eles abriram a Unibroue e lançaram a primeira cerveja, a Blanche de Chambly. Chambly é a cidade da província do Quebec onde fica localizada a cervejaria. Muitas cervejas foram lançadas pela Unibrou, sempre com alma belga. Em 2006 a Unibroue foi adquirida pela gigante Japonesa Sapporo.

Chambly Noire, Raftman, Maudite, Don di Dieu, Trois Pistoles e La Fin du Monde são apenas algumas das cervejas produzidas pela Unibroue. Todas estas citadas estiveram disponíveis no Brasil por alguns anos, mas no final de 2009 recebemos a notícia de que a cervejaria não exportaria mais suas cervejas para fora da América do Norte. Uma pena já que algumas destas cervejas eram realmente muito boas. Em 2010 ainda era possível encontar aqui no Brasil algumas garrafas remanescentes das últimas importações.

Uma das cervejas que não chegou comercialmente ao Brasil foi a Terrible, uma versão especial feita no estilo Belgian Dark Strong Ale. Esta garrafa foi comprada no final de 2009 em Buenos Aires. Fui presenteado pelo amigo Eduardo Deleuze, morador da cidade que compartilha da mesma paixão pela cerveja. Mais uma vez agradeço pelo presente e por me dar a oportunidade de provar esta cerveja.


Unibroue Terrible - Belgian Dark Strong Ale, 10.5% ABV, garrafa 750ml.

Cor: Preta, leves reflexos de cor marrom.
Espuma: Boa formação e duração, cor bege, boa consistência.
Aroma: Malte, doce, fermento, frutado (ameixa, passas), fenólica, leve picante.
Paladar: Malte, doce destacado, frutado (ameixa, passas), leve torrefação, fenólico, picante, leve álcool, leve amargor, final doce, picante e alcoólico, bom corpo, textura licorosa, baixa carbonatação.

Boa cerveja. Assim como as outras Ales de inspiração belga da Unibroue, a presença do fermento determina as características mais marcantes. Além da perceptível presença da levedura em si, principalmente no aroma, podemos sentir o fenólico picante bem presente e um bom frutado que lembra frutas escuras. A cerveja apresenta um corpo respeitável com uma textura licorosa. A doçura e o álcool estão bem presentes mas não incomodam. Na verdade estes elementos se equilibram e fazem desta a segunda melhor cerveja da Unbroue na minha opinião, somente atrás da Tripel La Fin du Monde.


23 dezembro 2010

Jolly Pumpkin Noel de Calabaza



A Jolly Pumpkin é uma cervejaria fundada por Ron Jeffries em 2004 e fica localizada em Dexter, no estado americano de Michigam. O maior diferencial da Jolly Pumpkin é seu método de fabricação. Todas as cervejas são maturadas em barris de carvalho. Estes barris, geralmente já utilizados na fabricação de vinhos, possuem uma microflora entranhada em suas paredes, sendo o bretanomyces um deles. Esta microflora tem um papel fundamental no desenvolvimento de sabores e aromas rústicos intensos nas cervejas, como couro, estábulo e outros comumente associados com este tipo de fermentação selvagem. Após a maturação, todas as cervejas são refermentadas na garrafa.

A maioria das cervejas da Jolly Pumpkim é classificada como Farmhouse Ales. Tive a oportunidade de encontrar a Noel de Calabaza, a cerveja comemorativa de Natal. Divido com vocês abaixo a minha experiência com ela.

Jolly Pumpkin Noel de Calabaza - Sour Ale, 9% ABV, garrafa 750ml, US$ 8.99.

Cor: Marrom, turva, poucos reflexos alaranjados.
Espuma: Boa formação, média duração, bolhas bem pequenas.
Aroma: Levedura selvagem, estábulo, couro, madeira, algo vinoso, acidez, avinagrado, frutado (frutas vermelhas, maçã), leve caramelo.
Paladar: Acidez, frutado (frutas vermelhas, maçã), leve adocicado, vinho, levedura selvagem, estábulo, couro, madeira, amargor presente no final junto com a acidez e um leve dulçor, corpo baixo, baixa carbonatação, bem seca, adstringente.

Cerveja interessante. Muito diferente do que eu esperava. Sua classificação nos principais rankings cervejeiros é o Belgian Dark Strong Ale. Não encontrei absolutamente nada deste estilo belga nela. Esta é uma Sour Ale, uma categoria já utilizada em muitos concursos nos EUA mas ainda não reconhecida pelo BJCP (a referência da maioria dos concursos internacionais). Ficou uma impressão de que a cerveja base para a Noel de Calabaza não tem realmente as características de uma Belgian Dark Strong Ale, pois nem mesmo o álcool aparece e o corpo da cerveja é muito baixo para o estilo. As sensações vindas dos microorganismos selvagens dominam a cerveja. Fica difícil de acreditar até mesmo dos 9% de álcool, aliás não declarados no rótulo. Na realidade lembrou um outro estilo belga tradicional, o Flanders Red/ Brown Ale que tem como uma de suas principais representantes a Rodenbach.


18 dezembro 2010

Abbaye des Rocs Brune


A Brasserie de L`Abbaye des Rocs fica localizada no vilarejo de Montignies-sur-roc, da cidade de Honnelles, na provícia belga de Hainaut. O vilarejo fica localizado na fronteira da Bélgica com a França. O nome da cervejaria vem das ruínas da abadia que fica localizada na região. Apesar das cervejas da Brasserie de L`Abbaye des Rocs serem classificadas como de abadia, elas nunca foram realmente fabricadas dentro da abadia. A cervejaria começou pequena no ano de 1979 com uma capacidade produtiva de apenas 50 litros a cada 2 semanas.

Com o tempo, as cervejas da Brasserie de L`Abbaye des Rocs  fizeram sucesso e a produção aumentou muito. Entre as cervejas deles, a Abbaye des Rocs Brune sempre aparece muito bem cotada nos principais rankings cervejeiros, sempre entre as melhores cervejas do estilo Belgian Dark Strong Ale.

Esta garrafa foi um presente de um belga em visita à minha cidade. Ganhei a cerveja ainda bem nova mas demorei para bebê-la. Com certeza foram pelo menos 2 anos de guarda contados a partir da data de fabricação. Esta foi portanto uma cerveja já com sinais de guarda. Divido com vocês aqui a minha experiência.


Abbaye des Rocs Brune - Belgian Dark Strong Ale, 9% ABV, garrafa 750ml.

Cor: Marrom, turva, presença de partículas grandes de fermento, mesmo com todo o cuidado ao gelar a cerveja e ao servir.
Espuma: Boa formação, média/baixa duração, cor bege, com preseença de partículas de fermento.
Aroma: Malte, caramelo, fermento, frutado (banana, ameixa, passas), fenólico, picante, pimenta do reino.
Paladar: Malte, doce, caramelo, toffee, fermento, frutado intenso (ameixa, banana, passas), fenólico, condimentado, picante, levíssimo amargor, final adocicado e picante, bom corpo, textura sedosa, carbonatação média/baixa, seca.

Ótima cerveja. Uma Dark Strong Ale muito bem feita e que figura entre as melhores que já provei do estilo. Tem um frutado intenso que lembra principalmente banana e ameixa e um fenólico bem presente, que dá uma sensação condimentada e picante e chega a lembrar pimenta do reino no aroma. O corpo é muito bom e sedoso, com a clara contribuição da carbonatação mediana para resaltar a cremosidade. O final predominantemente adocicado contribui para o drinkability e também para não assustar principiantes na arte de degustar cervejas mais intensas. Apesar de doce, ela termina seca o suficiente para ter um bom equilíbrio e não ficar enjoativa. Álcool praticamente imperceptível.


09 dezembro 2010

Hoppin` Frog Hoppin` to Heaven IPA



Hoppin` Frog é uma pequena cervejaria localizada na cidade de Akron, no interior do estado americano de Ohio. A cervejaria foi fundada no ano de 2000 por Fred Karm, que além de proprietário também trabalha como mestre cervejeiro. No website da cervejaria não é possível obter muita informação, mas vemos que eles gostam de resaltar a qualidade de suas cervejas. O equipamento utilizado por eles para as brasagens permite o uso de quantidades maiores de malte e uma engarrafadora especial ajuda a manter a qualidade da cerveja por um tempo maior nas prateleiras.

Entre as produções da Hoppin` Frog encontramos principalmente os novos estilos intensos americanos, como uma India Pale Ale, duas Double IPA (uma das quais é denominada de Tripel IPA pela cervejaria), duas Imperial Stouts (sendo uma denominada de Double Imperial Stout pela cervejaria), uma Imperial Stout com maturação em barril, entre outras. Podemos perceber que eles gostam de produzir o que os americanos chamam de "Big Beers", que podemos traduzir como cervejas extremas. A julgar pela pontuação das cervejas deles no Beer Advocate, eles têm conseguido agradar. A Hoppin` to Heaven IPA não é bem uma das "Big Beers". Esta é uma das mais básicas da cervejaria.


Hopin` Frog Hoppin` to Heaven IPA - 6.8% ABV, garrafa 650ml, 68 IBU, US$ 8.

Cor: Cobre, levíssima turbidez,.
Espuma: Altíssima formação e boa duração, cor marfim, bem consistente, deixa marcas bem espessas no copo.
Aroma: Lúpulo, frutado, cítrico, herbáceo, maracujá, grapefruit, laranja, malte, caramelo.
Paladar: Malte, doce, caramelo, lúpulo, cítrico, frutado, maracujá, laranja, herbáceo, leve álcool, amargor final de grande intensidade e duração, bom corpo, levemente seca.

Boa cerveja. Apesar de bem amarga, ela é bem agradável. O conjunto é bem harmonioso e consegue ser elegante e até mesmo leve perto de outras IPA americanas que tive a oportunidade de provar. Destaque para as notas cítricas e frutadas de lúpulo, lembrando maracujá e laranja, mas as notas herbáceas também aparecem. Lembrou muito a Colorado Indica. Não sei se em uma degustação comparativa elas seriam iguais, pois acredito que a Hoppin` to Heaven IPA deve ser mais intensa, mas existem semelhanças claras no perfil das duas cervejas. São duas IPA americanas, que utilizam variedades americanas de lúpulo e que possuem um conjunto extremamente leve e agradável, diferente de algumas IPA americanas intensas e de menor drinkability.

07 dezembro 2010

Stone Smoked Porter


Tempo para mais uma cerveja da Stone, esta cervejaria californiana conhecida pela suas produções ousadas. Em outros momentos aqui no blog você já pôde conhecer a Stone India Pale Ale e um evento onde 40 cervejas da Stone estavam disponíveis. Agora divido com vocês a minha experiência com esta Smoked Porter, ou seja, uma Porter com um toque defumado. Este não é um estilo reconhecido, trata-se de uma mistura de estilos, fruto da vontade da cervejaria em fabricar algo inovador.

Contra rótulo da Smoked Porter. Veja a explicação sobre a Gárgula da Stone e o perfil da cerveja.
Clique na imagem para ver melhor.

As garrafas da Stone não têm rótulo tradicional. Elas são pintadas com silk screen e sempre contém muita informação e irreverência. No contra-rótulo da Smoked Porter podemos ver um pouco dessa irreverência ao explicarem o motivo da Gárgula. Ela protege as cervejas da Stone contra os espíritos malignos do mundo moderno, como conservantes, aditivos e adjuntos.


Stone Smoked Porter - Porter, Ale, 5.9% ABV, garrafa 660 ml, US$ 7.

Cor: Preta, límpida, reflexos de cor marrom.
Espuma: Boa formação e média/alta duração, cor bege escura, deixa marcas.
Aroma: Malte, leve defumado, torrefação, café, chocolate, lúpulo (herbáceo, condimentado).
Paladar: Malte, chocolate, torrefação, café, leve defumado (diferente das Rauchbiers), acidez bem controlada, bom amargor de média intensidade e boa duração, final amargo e torrado, bem seca, corpo médio.

Boa cerveja. Bom equilíbrio entre chocolate, café e um leve defumado. Amargor bem presente mas sem incomodar ou travar, ficando em segundo plano. Achei o aroma bem neutro. A cerveja se revela mesmo é no sabor, rico e intenso.

O Pint da Stone também tem a explicação sobre a gárgula.

05 dezembro 2010

Ayinger Celebrator Doppelbock



A cervejaria Ayinger foi fundada por Johann Liebhard no ano de 1878. O início da construção do prédio foi em 1877. A primeira cerveja foi fabricada no inverno do mesmo ano, aproveitando o frio para a maturação, e finalmente em fevereiro de 1878 ela estava pronta para ser servida. A cervejaria fica localizada na cidade de Aying, a 25 km de Munique, a capital do estado da Baviera. Até hoje a cervejaria é administrada pela mesma família.

A maioria das cervejas produzidas por eles são lagers, de baixa fermentação, mas também são produzidas algumas weissbiers, de alta fermentação. Entre todas as cervejas do portifólio da cervejaria, a mais famosa deve ser a Celebrator, a Doppelbock que conquistou o mercado americano e que sempre aparece como uma das melhores cervejas alemãs em todos os maiores rankings cervejeiros. Cerca de 10% da produção é destinada para exportação, principalmente Itália, EUA, Espanha, França e Escandinávia.

Encontrei esta garrafinha em Nova Iorque. Ela é bem fácil de encontrar por lá. Já tinha uma curiosidade muito grande em relação a esta cerveja. Não perdi a oportunidade e trouxe uma comigo.


Ayinger Celebrator Doppelbock - Doppelbock, Lager, 6.7% ABV, garrafa 330ml, US$ 3,50.

Cor: Preta, quase que totalmente opaca, levíssimo reflexo marrom escuro.
Espuma: Boa formação, média duração, cor bege escura (caramelo).
Aroma: Malte, torrefação, caramelo, chocolate, frutado? (frutas escuras, passas), leve álcool.
Paladar: Malte, doce, torrefação, caramelo, chocolate, leve álcool, leve acidez, leve picante, amargor de média intensidade e duração, final doce, amargo e alcoólico, bom corpo.

Boa cerveja. Muito equilibrada e fácil de beber para uma doppelbock. Muito malte no conjunto, com uma complexidade pouco comum para o que já provei em outras cervejas do mesmo estilo. Nesta, além de caramelo e doce, também tem uma boa dose de torrefação e chocolate. No sabor, o álcool aparece bem, assim como manda o estilo, e traz alguma picância, mas não incomoda em momento algum.

O que achei curioso é que a Baden Baden faz uma doppelbock bem semelhante a esta, a Celebration Inverno. Provei uma poucos dias antes de abrir a Ayinger Celebrator. Elas possuem a mesma cor e a mesma tendência puxada mais para a torrefação e algo de chocolate. Será que saiu daqui a inspiração para a receita da Celebration Inverno?


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